A guerra entre os EUA e o Irão nunca foi tão intensa como agora. Os sinais são evidentes, especialmente com o aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais. O barril de Brent, referência para a Europa, ultrapassou novamente os 100 dólares, um marco que foi alcançado mais de dez dias após os Estados Unidos terem reentrado no conflito armado. Este aumento no preço do petróleo reflete a crescente incerteza e a perda de esperança por uma solução pacífica.
Um dos fatores que contribuiu para esta escalada foi a convocação dos houthis pelo Irão. Os ataques realizados por este grupo na região da entrada do Mar Vermelho tornaram o Canal do Suez intransitável. O Irão já aconselhou os houthis a utilizar o arsenal moderno que foi transferido para o Iémen ao longo da última década. Desde 2009, o fluxo de armamento aumentou, e em 2015, a ONU impôs um embargo de armas ao grupo rebelde. No entanto, as agências de inteligência ocidentais, como a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, confirmaram que mais de 20 embarcações de contrabando iranianas foram interceptadas, transportando mísseis balísticos, drones e armamento variado.
Recentemente, os houthis alegaram ter atacado dois petroleiros sauditas que violavam o bloqueio a Bab el-Mandeb. Esta ação levou o presidente dos Estados Unidos a advertir que uma “punição militar severa” seria aplicada tanto ao Irão como aos houthis se novos ataques ocorressem. A situação demonstra que, na região, os desejos de Washington são frequentemente ignorados.
Entretanto, o Ocidente foi surpreendido com a assinatura de um acordo histórico entre os EUA e a Arábia Saudita, relacionado com o programa nuclear. O pacto, conhecido como ‘Acordo 123’, tem uma duração de 30 anos e foi assinado pelo secretário de Energia dos EUA e pelo ministro da Energia saudita. Este tratado estabelece uma parceria que permitirá a empresas norte-americanas fornecer tecnologia para o desenvolvimento do programa atómico civil da Arábia Saudita. Contudo, muitos duvidam que o programa se mantenha dentro dos limites do nuclear civil, levantando preocupações sobre uma possível corrida armamentista na região.
Israel, a outra potência nuclear do Médio Oriente, reagiu ao acordo com preocupação. Ex-ministros da Defesa expressaram receios sobre a possibilidade da Arábia Saudita adquirir capacidades de enriquecimento de urânio, o que poderia desestabilizar ainda mais a região.
Uma questão que permanece em aberto é o papel de Israel neste contexto de crescente tensão. Desde que os ataques recomeçaram, as forças israelitas têm-se mantido à distância, apesar de terem sido as primeiras a incentivar os ataques anteriores. O Irão, por sua vez, tem evitado atacar diretamente Israel, mas os analistas acreditam que qualquer pretexto pode levar a um novo conflito. O primeiro-ministro israelita não esconde que a solução para o Líbano depende da queda do regime de Teerão.
A próxima semana será crucial para compreender a direção que a guerra entre os EUA e o Irão poderá tomar. É importante também observar a crescente contestação contra a guerra nos próprios Estados Unidos, um sinal de que a opinião pública pode estar a mudar. Leia também: O impacto da guerra no preço do petróleo e na economia global.
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Fonte: Sapo





