Rui Costa, presidente do Sport Lisboa e Benfica, vê a sua empresa imobiliária, a 10 Invest, sinalizada na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Apesar de ter encerrado o ano de 2025 com lucros, a empresa enfrenta um incumprimento num crédito superior a 15 milhões de euros junto do Banco Montepio, o que a coloca na conhecida “lista negra”.
De acordo com informações reveladas pelo Observador, a 10 Invest, da qual Rui Costa detém 9,8%, apresenta um saldo de apenas 536,25 euros em caixa, o que levanta preocupações sobre a sua capacidade de cumprir com as obrigações financeiras. O incumprimento refere-se ao não pagamento de prestações de capital, juros de mora e encargos associados a um financiamento de 15,3 milhões de euros.
Embora a 10 Invest não tenha negado a existência de prestações vencidas, a empresa assegurou que não houve qualquer execução de hipotecas e que a relação com o Banco Montepio se mantém “dentro da normalidade”. A empresa afirma ainda que as garantias prestadas superam o valor do crédito, o que pode oferecer alguma segurança aos credores.
As contas de 2025 mostram um cenário misto. A 10 Invest registou vendas de 10,62 milhões de euros, um aumento significativo em relação ao ano anterior, onde não foram reconhecidas vendas. O exercício fechou com um lucro de 670 mil euros, após prejuízos de 21,4 mil euros em 2024. No entanto, a fragilidade financeira é evidente, com uma dívida financeira que ascendia a 15,31 milhões de euros, embora tenha diminuído 27% em relação aos 20,98 milhões de 2024.
O rácio da dívida em relação ao EBITDA (resultado antes de depreciações, amortizações, juros e impostos) é alarmante, situando-se em 7,34 vezes no final de 2025, comparado com 3,9 vezes no ano anterior. Esta elevada dependência da conclusão e comercialização do projeto Dream Living, um empreendimento residencial de luxo em Carnaxide, levanta questões sobre a sustentabilidade financeira da 10 Invest.
O Dream Living, que resulta de uma parceria entre a JPS Group e Rui Costa, é composto por seis edifícios e representa uma parte significativa do ativo da empresa. Contudo, dos 29,55 milhões de euros em ativo corrente, 98% estão registados como inventários, correspondendo a imóveis em construção ou destinados à venda. A liquidez da empresa é preocupante, com apenas 536 euros em caixa e depósitos bancários, e 8,89 milhões de euros em adiantamentos de clientes.
Apesar do lucro de 2025 ter melhorado os capitais próprios da 10 Invest, a empresa continua a depender fortemente do crédito bancário e da venda dos imóveis para cumprir as suas responsabilidades financeiras. Assim, Rui Costa entra em 2026 com um lucro contabilístico que, embora positivo, é insuficiente para cobrir a elevada dívida e os encargos financeiros.
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Rui Costa Nota: análise relacionada com Rui Costa.
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Fonte: ECO





