No coração da Marinha Grande, a Vangest destaca-se como um dos principais fornecedores de componentes para a indústria aeroespacial, incluindo a produção de peças para os caças Gripen da Saab. A planta industrial, com 43 mil metros quadrados, alberga máquinas CNC de última geração, onde a plant manager Dulce Alves supervisiona a produção de peças complexas em titânio. “Esta peça tem uma geometria desafiante, com uma extremidade de apenas 1,27 mm”, explica Dulce, enquanto trabalha para otimizar o tempo de produção, que atualmente varia entre oito e nove horas.
A Vangest já produziu cem destas peças e tem planos para duplicar essa quantidade até ao final de agosto. Este projeto, iniciado em junho do ano passado, representa um passo significativo para a empresa no setor aeroespacial. “Acredito que a pior parte já passou, mas queremos otimizar o processo ao máximo”, afirma Dulce.
Além do setor aeroespacial, a Vangest também explora oportunidades em áreas como a saúde. Rui Tavares, diretor-geral da empresa, menciona que estão a desenvolver moldes de alta precisão para tubagens médicas, evidenciando a versatilidade da empresa. O grupo, que opera há quarenta anos e é detido pelo fundo ZenoPartners, está focado em expandir a sua presença no setor aeroespacial, onde já colabora com a OGMA e a Saab.
“Portugal já está a participar na construção do Gripen”, destaca Tavares, sublinhando a importância da Vangest na cadeia de fornecimento. O CEO do grupo, Rune Bakke, acredita que o setor aeroespacial será o mais rápido a crescer, seguido pela saúde e pela indústria em geral. “A maior parte da nossa receita virá de dispositivos médicos, devido a aquisições no Reino Unido e em Singapura”, acrescenta.
A Vangest enfrenta desafios significativos para se afirmar no mercado aeroespacial, onde a qualificação de fornecedores é crucial. “Entrar neste setor é difícil, pois não há muitos fornecedores qualificados”, observa Hamid Monsef, responsável pelo desenvolvimento de negócios aeroespaciais na Vangest. O foco da empresa é estabelecer parcerias com empresas especializadas para garantir a qualificação necessária junto dos fabricantes de equipamentos originais (OEM).
Atualmente, a Vangest está em processo de qualificação com a Airbus e espera ser incluída na lista de fornecedores qualificados em breve. “Com a Saab, estamos numa fase de avaliação técnica e a desenvolver uma proposta integrada”, revela Monsef. A empresa está a trabalhar com três parceiros nacionais para completar o ciclo de produção, que inclui pintura e montagem, algo que atualmente falta em Portugal.
“Estamos a dar passos para liderar e ajudar outras empresas neste processo de capacitação”, conclui Hugo Oliveira, head of marketing da Vangest. A empresa está determinada a contribuir para a criação de um cluster aeronáutico em Portugal, semelhante ao que já existe em países como Espanha e França, onde a indústria está mais estruturada.
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Fonte: ECO

