Seguro de responsabilidade civil deve atuar antes do dano

As empresas estão a lidar com riscos emergentes, como ciberataques e danos reputacionais, que crescem a um ritmo acelerado. Durante o Fórum Nacional de Seguros 2026, especialistas discutiram a necessidade de o seguro de responsabilidade civil intervir antes que os danos ocorram. O painel, moderado por Carolina Neves Carvalho, contou com a presença de Eduardo Félix, da Innovarisk, e João Barata, da Generali Tranquilidade.

João Barata começou por explicar que existem diferentes tipos de responsabilidade civil. “Na responsabilidade civil obrigatória, o grau de cobertura é elevado”, afirmou. No entanto, quando se fala de responsabilidade civil não obrigatória, a cobertura é frequentemente insuficiente. Esta lacuna aplica-se tanto a riscos tradicionais como a novos, onde a procura por parte das empresas é limitada e os capitais disponíveis não são adequados às potenciais perdas.

Os riscos associados à cibersegurança e à inteligência artificial foram destacados como prioritários. À medida que estas tecnologias evoluem, também aumentam os riscos de ataques e interrupções nas operações empresariais. Barata sublinhou que, em Portugal, a cobertura para estes riscos ainda é muito baixa e que a solução não deve restringir-se a indemnizações. “É fundamental trabalhar na prevenção para minimizar os danos”, afirmou.

Eduardo Félix trouxe à discussão a necessidade de abordar problemas antigos que ainda persistem no setor. “Temos uma nova ambição, mas também uma velha ambição: a cobertura continua a ser deficitária em muitos casos”, disse. Ele destacou que as exclusões pouco visíveis nas apólices são um problema significativo. Muitas propostas parecem garantir um risco, mas, no momento de um sinistro, revelam exclusões que os clientes desconheciam ou não valorizaram.

Félix também referiu a transformação tecnológica e o risco do dano reputacional, que ainda não está adequadamente protegido. “Historicamente, o seguro de responsabilidade civil focava-se na indemnização após o dano ocorrer. No entanto, hoje em dia, o seguro deve intervir antes que o dano aconteça”, enfatizou. O dano reputacional é um exemplo claro dessa necessidade.

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Fonte: ECO

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