Bancos israelitas podem cortar laços com instituições palestinianas

A situação económica na Cisjordânia está a tornar-se cada vez mais crítica, com a ameaça de dois bancos israelitas de cortarem laços com instituições financeiras palestinianas. Esta decisão, se concretizada, poderá paralisar a economia do território, que já enfrenta desafios significativos devido a conflitos e restrições.

Os bancos israelitas, que têm colaborado com 13 bancos palestinianos, são responsáveis por processar transações essenciais para a importação de bens como alimentos, roupas, gasolina, água e eletricidade. O encerramento dessas relações financeiras significaria um bloqueio comercial severo, afetando diretamente a vida dos palestinianos. As autoridades palestinianas alertam que a interrupção dos serviços bancários poderia levar a uma crise humanitária sem precedentes.

A preocupação dos bancos israelitas está ligada ao receio de serem processados por lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo. A falta de proteção adequada do governo de Israel contra esses riscos tem gerado frustração entre as instituições financeiras. Em resposta a esta situação, as autoridades palestinianas solicitaram a intervenção de governos estrangeiros, na esperança de evitar um colapso económico.

Recentemente, o Israel Discount Bank notificou os seus correspondentes palestinianos que pretende encerrar as relações de “banco correspondente” até 1 de setembro. O Bank Hapoalim também está a considerar uma decisão semelhante. O Ministério das Finanças de Israel reconheceu que o fim dessas relações poderá ter “implicações negativas para a estabilidade económica na região”.

O comércio com Israel representa 55% das importações palestinianas e 85% das exportações, sendo processado através dos bancos correspondentes. A incerteza em torno da continuidade dessas relações financeiras está a gerar um clima de medo e ansiedade entre a população palestiniana. Feras Milhem, ex-governador da Autoridade Monetária Palestiniana, expressou a sua preocupação, afirmando que a possibilidade de um corte nas relações é uma realidade alarmante.

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A situação é ainda mais complicada pela pressão do governo israelita sobre os bancos palestinianos para que cessem a sua suposta ligação ao terrorismo. No entanto, especialistas defendem que o sistema financeiro palestiniano tem tomado medidas para evitar que grupos extremistas acedam aos seus serviços. Daniel L. Glaser, ex-secretário assistente para financiamento do terrorismo, afirmou que a Autoridade Monetária Palestiniana não é amiga do Hamas e que o sistema bancário palestiniano é, na verdade, um dos poucos aspectos funcionais da economia.

Com a possibilidade de um corte nas relações bancárias, os palestinianos estão a explorar alternativas, mas as soluções propostas, como a troca de moeda, são insuficientes a longo prazo. A dependência da Cisjordânia do shekel israelita e a proibição de emitir a sua própria moeda complicam ainda mais a situação.

A economia da Cisjordânia já está sob pressão devido a medidas punitivas do governo de Benjamin Netanyahu, que incluem a retenção de impostos e a anulação de permissões de trabalho. Especialistas económicos alertam que, se os laços entre os bancos israelitas e palestinianos forem desfeitos, bens essenciais poderão rapidamente tornar-se indisponíveis. A Cisjordânia depende quase totalmente de Israel para o seu combustível, eletricidade e água.

A possibilidade de surgimento de um mercado negro, onde camiões israelitas entregariam mercadorias em troca de dinheiro, é uma preocupação adicional. Esta situação não é apenas uma questão humanitária; é também uma questão de segurança. A comunidade internacional deve acompanhar de perto este desenvolvimento, que poderá ter consequências devastadoras para a população palestiniana.

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Fonte: Sapo

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