O Banco Central de Singapura emitiu um alerta sobre os riscos que um eventual abrandamento no crescimento da inteligência artificial (IA) pode representar para a economia global. Segundo a instituição, os avanços na IA e na computação quântica trazem consigo “riscos significativos” de cibersegurança para as instituições financeiras, conforme reportado pelo Financial Times.
De acordo com o Banco Central, o crescimento da economia, os investimentos e o desempenho do mercado financeiro estão intimamente ligados aos setores dos semicondutores e dos centros de dados. Qualquer desaceleração nestes setores poderá ter repercussões profundas e duradouras. O diretor-geral da instituição, Chia Der Jiun, afirmou que uma grande retração no investimento em IA poderia resultar numa diminuição drástica do crescimento global, afetando negativamente o investimento empresarial e a procura de semicondutores. “Poderá ocorrer uma forte restrição das condições financeiras globais”, alertou.
Este aviso surge num contexto de quedas acentuadas nas ações de empresas ligadas aos semicondutores e chips de memória. Na última sessão bolsista, a Nvidia foi a única empresa do setor a registar uma valorização, fechando com um aumento de 0,2%. Em contrapartida, empresas como a TSMC e a Samsung enfrentaram quedas de 3,5% e 5,2%, respetivamente.
Durante a apresentação do relatório anual da Monetary Authority of Singapore (MAS), Chia Der Jiun também mencionou que, mesmo que os investimentos em IA sejam rentáveis e resultem em ganhos de produtividade, a inflação poderá aumentar e a procura de energia poderá ser maior. No curto prazo, espera-se que o investimento em IA continue a impulsionar a economia global.
O alerta do Banco Central de Singapura ecoa as preocupações do investidor norte-americano Steve Eisman, conhecido por ter previsto a crise imobiliária de 2008. Em entrevista à CNBC, Eisman destacou que, se as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como hiperescaladoras, reduzirem os seus investimentos em IA, o mercado poderá sofrer uma queda significativa. Para ele, as bolsas estão atualmente centradas numa única questão: “A da inteligência artificial”.
Eisman também apontou que a negociação em torno da IA está a tornar-se intensiva em termos de capital investido. Questionou a vantagem competitiva dos modelos de linguagem, como o Gemini da Google e o ChatGPT da OpenAI, e alertou que os modelos chineses são mais baratos, o que poderá levar a uma guerra de preços.
A Alphabet, proprietária da Google, anunciou um aumento significativo no seu capital de investimento, o que levou a uma queda de 6,8% nas suas ações. Este desvio afetou também outras grandes empresas do setor, que, em conjunto, perderam quase 800 mil milhões de dólares em valor de mercado. As ações da Tesla e da Alphabet foram as mais penalizadas, com desvalorizações de 14,5% e 6,8%, respetivamente.
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Fonte: Sapo





