A geopolítica continua a ter um impacto significativo nas decisões dos principais bancos centrais, como é o caso da Reserva Federal (Fed) dos EUA. Na sua última reunião, a Fed decidiu manter as taxas de juro inalteradas, seguindo o exemplo do Banco Central Europeu (BCE), que também optou por não alterar as suas taxas. Esta decisão surge num contexto de incerteza elevada, exacerbada pela escalada de tensões no Médio Oriente, que pode levar a um aumento do custo do euro em setembro.
Matthew Ryan, responsável pela estratégia de mercado da Ebury, sublinha que a situação no Médio Oriente está a influenciar as expectativas em relação à política monetária. Com os preços do petróleo Brent a ultrapassarem os 100 dólares por barril pela primeira vez desde maio, as preocupações com a inflação aumentam. Ryan afirma que, apesar de a Fed não ter planos imediatos de aumentar as taxas, um aumento de 25 pontos base está já descontado para a reunião de setembro, caso as tensões persistam.
A probabilidade de um aumento das taxas de juro foi avaliada em 35,5% esta quarta-feira, um aumento significativo em relação aos 10% de duas semanas antes. Este aumento nas expectativas deve-se à intensificação dos conflitos, incluindo ataques aéreos dos EUA e da Arábia Saudita contra grupos apoiados pelo Irão no Iraque. A inflação nos EUA, que abrandou para 3,5% em junho, não parece ser suficiente para evitar um aumento das taxas, dado o contexto geopolítico.
Philip Marey, estratega sénior do Rabobank, destaca que a Fed poderá discutir aumentos nas taxas de juro em vez de reduções, especialmente após a recente escalada de tensões. A comunicação da Fed, no entanto, deverá ser mais contida, com o novo presidente, Kevin Warsh, a optar por não emitir muitos sinais aos mercados sobre futuras decisões.
Além disso, a reunião da Fed não incluirá a divulgação do “dot plot”, que representa as previsões dos membros do comité sobre o futuro das taxas de juro. Esta decisão pode ser vista como uma forma de evitar a pressão de definir uma trajetória clara em tempos de incerteza.
A atenção agora volta-se para as declarações de Warsh na conferência de imprensa, onde se espera que ele aborde os riscos de subida da inflação sem consolidar expectativas de aumentos futuros. A forma como a Fed caracteriza o aumento do preço do petróleo poderá também ter implicações significativas para os mercados.
Por fim, a decisão de manter as taxas de juro inalteradas pode desiludir o presidente Donald Trump, que tem criticado a Fed por não agir com mais rapidez na redução das taxas. Trump reiterou recentemente que os EUA deveriam ter a taxa de juro mais baixa do mundo, colocando pressão sobre a Fed para que tome medidas mais agressivas.
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Fonte: ECO





