Luís Neves, ex-diretor nacional da Polícia Judiciária e atual ministro da Administração Interna, realizou uma conferência de imprensa em Lisboa, onde abordou as recentes controvérsias que o envolvem. Com uma postura firme, Neves afirmou: “Nunca tive medo, nunca me escondi, não era agora que o faria.” A sua declaração surge após 19 dias de intenso escrutínio mediático sobre a apreensão de um atrelado pela PJ, a sua relação com o empreiteiro João Carvalho e a falta de entrega das suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional.
O ministro procurou construir uma narrativa clara, admitindo erros de avaliação, mas insistindo que não cometeu qualquer ilegalidade ou obteve benefícios pessoais. A sua defesa baseou-se em três pilares: a legalidade das suas decisões, a sua integridade e o legado de três décadas na PJ. Contudo, a sua resposta chegou com um atraso significativo, o que levantou questões sobre a sua capacidade de gestão da crise.
Luís Neves garantiu que nunca considerou abandonar o Governo, afirmando sentir-se legitimado para o cargo e apoiado pelo primeiro-ministro. Ao longo do seu discurso, repetiu várias vezes que não houve qualquer comportamento ilícito, afirmando: “Não foi desviado qualquer bem, comprometida qualquer prova, beneficiado quem quer que fosse.” Esta estratégia visou deslocar o debate do plano político para o jurídico, numa tentativa de reforçar a sua posição.
Sobre o atrelado apreendido, que estava a ser utilizado para armazenar uma galera relacionada com um processo de tráfico de droga, Neves assumiu a responsabilidade pela decisão, embora tenha mencionado que a ideia partiu de um alto quadro da PJ. Justificou a sua escolha como uma medida de “boa gestão”, uma vez que a destruição do material teria um custo elevado. No entanto, admitiu que, se pudesse voltar atrás, teria agido de forma diferente, embora não tenha especificado como.
Em relação à sua amizade com João Carvalho, dono da Construbarcelos, Neves negou qualquer favorecimento, sublinhando que a empresa já trabalhava com a PJ antes da sua relação pessoal. Apresentou dados que indicam que a empresa representou apenas uma pequena percentagem das adjudicações feitas pela PJ durante o seu mandato.
No que diz respeito à sua propriedade em Odemira, Neves assegurou que todas as aquisições foram feitas a preços de mercado e que a sua única fonte de rendimento é o seu trabalho. Referiu que a piscina na sua propriedade foi um erro de interpretação do projeto inicial, que previa apenas um tanque, e prometeu regularizar a situação junto da Câmara Municipal.
Luís Neves também abordou as suas declarações de rendimentos, afirmando que nunca foi notificado pelo Tribunal Constitucional e justificando a sua reserva em divulgar informações patrimoniais por questões de segurança, dado o seu histórico de ameaças.
Apesar da sua defesa, Neves reconheceu que nem tudo foi gerido da melhor forma, admitindo que a sua abordagem, mais focada na confiança do que em procedimentos rigorosos, pode ter levado a decisões questionáveis. “Nem sempre acertei, mas estive sempre do lado do bem”, concluiu.
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Luís Neves Nota: análise relacionada com Luís Neves.
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Fonte: ECO





