Renminbi supera euro no comércio global pela primeira vez

Recentemente, a moeda chinesa, o renminbi, alcançou um marco significativo ao ultrapassar o euro no financiamento e liquidação do comércio mundial. Esta mudança é notável, uma vez que o renminbi detém agora uma quota de 8%, enquanto o euro caiu para 6%, ocupando o terceiro lugar. O dólar continua a ser o líder indiscutível neste contexto.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), reconheceu a situação, embora não tenha quantificado a posição relativa das moedas. Ela enfatizou a urgência de implementar medidas que fortaleçam a moeda europeia, incluindo o desenvolvimento do euro digital. Este projeto, que foi oficialmente lançado em julho de 2021, pode levar pelo menos cinco anos a ser concretizado, com algumas previsões a apontarem para 2029.

No entanto, a questão que se coloca é se as percentagens mencionadas refletem a realidade do comércio global. A informação provém da rede SWIFT, que tem vindo a perder representatividade no comércio mundial. Esta plataforma, que facilita transferências internacionais entre instituições financeiras, já não abrange a totalidade das transações económicas, limitando-se a uma parte significativa, mas cada vez menor.

A rede SWIFT, que já gozou de um monopólio, enfrenta desafios, especialmente após a desvalorização do dólar nas transações de petróleo, que, desde junho de 2024, começaram a ser realizadas em diversas moedas. Além disso, no Sul Global, as transações entre países como os membros dos BRICS são frequentemente realizadas em moedas locais, uma alternativa mais rápida e menos onerosa, que evita as sanções económicas impostas pelo Ocidente.

As sanções têm levado muitos países a procurar formas alternativas de realizar transações, resultando numa crescente utilização de moedas como o renminbi, o rublo e a rupia. Esta tendência indica uma diminuição da relevância do dólar e do euro nas trocas globais. Os BRICS estão a desenvolver o mBridge, uma plataforma que permite pagamentos instantâneos entre bancos centrais, sem a necessidade de recorrer ao dólar ou ao euro, aumentando ainda mais a competitividade das moedas locais.

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As percentagens que indicam a utilização do renminbi e do euro são, portanto, válidas apenas no contexto da rede SWIFT, que representa uma fração do comércio mundial. O euro e o dólar estão a ser sobrevalorizados nesta rede, enquanto a realidade do comércio global se transforma.

Além disso, tanto o euro como o dólar estão a perder a sua posição como moedas de trânsito na economia mundial. As mudanças são difíceis de quantificar, mas a crescente utilização de reservas em ouro e a venda de ativos em títulos do tesouro americano refletem uma mudança estrutural na arquitetura financeira global.

Os países do Sul Global, ao tentarem proteger-se das sanções ocidentais, estão a provocar uma queda permanente na importância do dólar e do euro, em favor de outras moedas, como o renminbi e o franco suíço. Contudo, a China não parece interessada em que o renminbi desempenhe o papel do dólar, preferindo manter a sua soberania e imunidade em relação a sanções.

O futuro do comércio global pode depender da capacidade do Ocidente de se adaptar e negociar reformas nas instituições financeiras. Se não o fizer, o Sul Global, liderado pelos BRICS, pode optar por construir um caminho paralelo, o que poderia levar a um colapso do sistema financeiro ocidental.

Leia também: O futuro do euro digital e suas implicações no comércio global.

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Fonte: Sapo

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