A Bondalti anunciou a conclusão de um projeto de descarbonização no seu complexo químico em Estarreja, com um investimento total de 76 milhões de euros. Este projeto, que conta com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), visa reduzir em mais de 36 mil toneladas as emissões de dióxido de carbono (CO2) por ano, ao mesmo tempo que diminui a dependência de combustíveis fósseis da unidade industrial.
O projeto, denominado REPower Chemicals, foi apresentado numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. Dos 76 milhões de euros investidos, 32 milhões foram assegurados pela componente de descarbonização da indústria do PRR.
Este ambicioso programa inclui cinco iniciativas focadas na redução da pegada carbónica da fábrica de Estarreja. Entre as principais ações, destaca-se a substituição da tecnologia de eletrólise por nove novos eletrolisadores, a instalação de dois parques solares para autoconsumo, um sistema de armazenamento de energia em baterias, o reforço da infraestrutura elétrica e a eletrificação da produção de vapor através de caldeiras elétricas.
Os novos parques fotovoltaicos, com uma potência instalada de cerca de 30 MWp, vão garantir 17% do consumo anual de eletricidade da unidade de cloro-álcali, aumentando para 44% a incorporação de energia renovável no complexo industrial. O sistema de armazenamento de energia, desenvolvido pela EDP, possui uma potência de 12 MW e uma capacidade de 12 MWh, sendo considerado pioneiro em Portugal à escala industrial.
As caldeiras elétricas permitirão eliminar o uso de gás natural na produção de vapor, substituindo-o por cerca de 35 GWh anuais de eletricidade renovável em condições normais de operação. Esta mudança não só contribui para a descarbonização, mas também diminui a exposição da empresa à volatilidade dos mercados energéticos.
A Bondalti estima que o projeto REPower resultará numa redução de cerca de 28% das emissões dos âmbitos 1 e 2, em comparação com os níveis de 2019. A empresa estabeleceu como meta reduzir em 63% as emissões de gases com efeito de estufa até 2035, tendo 2023 como ano de referência.
João de Mello, presidente executivo da Bondalti, afirmou que o REPower demonstra que a transformação da indústria é viável, mas sublinhou a urgência de acelerar este processo. Ele defendeu a necessidade de políticas ambientais que promovam a descarbonização e, ao mesmo tempo, garantam a competitividade industrial.
A execução deste projeto contou com a colaboração da EDP, da Greenvolt e da Voltalia, que foram responsáveis pelas soluções de produção e armazenamento de energia renovável implementadas na unidade de Estarreja.
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descarbonização Nota: análise relacionada com descarbonização.
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Fonte: Sapo





