Num mundo em constante transformação, a questão do associativismo empresarial ganha uma nova relevância. A digitalização, a inteligência artificial e a transição energética estão a moldar um ambiente de negócios cada vez mais complexo. Neste cenário, marcado por instabilidade política e económica, as empresas enfrentam um desafio significativo: não basta competir, é essencial compreender e adaptar-se às novas realidades.
Historicamente, o associativismo empresarial foi visto como um meio de representação institucional. Embora esse papel continue a ser importante, já não é suficiente. As associações empresariais precisam de se reinventar, tornando-se mais próximas e técnicas, e assumindo um papel ativo na capacitação das empresas. O associativismo empresarial deve ser um verdadeiro parceiro, ajudando as empresas a navegar pela complexidade regulatória e tecnológica.
As pequenas e médias empresas, em particular, beneficiam deste apoio. A transformação da legislação e a inovação constante exigem informação clara e útil, algo que as associações podem fornecer. Além disso, a formação e a atualização de competências tornaram-se fundamentais. Num mercado em rápida evolução, a formação não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma condição de sobrevivência.
Outro papel crucial do associativismo empresarial é assegurar uma representação qualificada junto dos decisores políticos. As associações podem contribuir para políticas públicas mais informadas e alinhadas com a realidade económica. A criação de ecossistemas colaborativos que liguem empresas, conhecimento e inovação é, talvez, uma das suas maiores contribuições.
Um exemplo claro desta evolução é o setor automóvel, que enfrenta uma transição energética e uma revolução tecnológica. Associações como a ANECRA têm adaptado a sua abordagem, focando-se nas necessidades reais das empresas. Hoje, não se trata apenas de representar, mas de capacitar e influenciar, o que está a fazer a diferença no setor automóvel em Portugal.
Em Portugal, onde a maioria das empresas são pequenas e médias, a capacidade de resposta coletiva é crucial. A ideia de que cada empresa pode enfrentar os desafios sozinha é uma ilusão. O futuro da competitividade pertence às empresas que souberem integrar redes, partilhar conhecimento e agir de forma coordenada. Como diz um provérbio africano: “Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo.” Esta sabedoria é mais pertinente do que nunca num mundo em constante mudança.
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Fonte: Sapo





