Guerra no Médio Oriente afeta fornecimento de alimentos e medicamentos

Organizações não governamentais (ONG) alertaram que a guerra no Médio Oriente está a causar sérias interrupções no fornecimento de alimentos e medicamentos a milhões de pessoas em todo o mundo. Se o conflito continuar, a situação poderá agravar-se ainda mais, colocando em risco a vida de muitos.

Desde o final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, a região tem estado em convulsão. O Irão, por sua vez, respondeu fechando o estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte de petróleo, e lançou ataques contra Israel e bases norte-americanas em vários países vizinhos, como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Esta escalada de violência resultou num aumento significativo dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.

As organizações humanitárias sublinham que a guerra não apenas interrompeu rotas marítimas essenciais, mas também está a afetar as cadeias de abastecimento globais. As empresas estão a ser forçadas a utilizar rotas mais longas e dispendiosas, o que eleva os custos de transporte. Cidades estratégicas como Dubai e Doha estão a sentir o impacto, com os preços de combustível e seguros a dispararem.

O Programa Alimentar Mundial revelou que dezenas de milhares de toneladas de alimentos estão a sofrer atrasos significativos no transporte. O Comité Internacional de Resgate (IRC) tem 130 mil dólares em produtos farmacêuticos destinados ao Sudão, atualmente retidos no Dubai, e quase 670 caixas de alimentos terapêuticos para crianças na Somália estão presas na Índia. Além disso, o Fundo das Nações Unidas para a População informou que o envio de equipamento para 16 países já sofreu atrasos consideráveis.

Os cortes drásticos na ajuda externa dos Estados Unidos já estavam a prejudicar muitos grupos humanitários, e a guerra no Médio Oriente está a agravar ainda mais esta situação. As Nações Unidas afirmam que esta é a maior perturbação nas cadeias de abastecimento desde a pandemia de covid-19, com custos de envio a aumentar até 20% e atrasos nas entregas devido ao redirecionamento de mercadorias.

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A guerra também está a criar novas emergências, especialmente no Irão e no Líbano, onde pelo menos um milhão de pessoas foram deslocadas. Madiha Raza, do IRC, alertou que “a guerra contra o Irão e a disrupção no Estreito de Ormuz correm o risco de levar as operações humanitárias para além dos seus limites”. Mesmo após o cessar-fogo, o impacto nas cadeias de abastecimento poderá continuar a atrasar a ajuda humanitária por meses.

O aumento dos preços está a forçar as organizações a tomar decisões difíceis sobre como alocar recursos. Janti Soeripto, da Save the Children, afirmou que “no final, sacrifica-se o número de crianças que se serve ou sacrifica-se a quantidade de artigos que se pode comprar”. Embora a organização tenha reservas, algumas poderão esgotar-se em poucas semanas.

Na Somália, Médicos Sem Fronteiras relatou que o aumento dos preços dos combustíveis está a dificultar o acesso a cuidados médicos, afetando cerca de 6,5 milhões de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda. Na Nigéria, os preços dos combustíveis subiram 50%, complicando ainda mais a operação de clínicas e serviços de saúde.

Uma das maiores preocupações é o impacto que a guerra terá na fome global. O Programa Alimentar Mundial alertou que, se o conflito persistir até junho, mais 45 milhões de pessoas poderão enfrentar fome aguda, juntando-se aos quase 320 milhões que já sofrem de fome no mundo. Com cerca de 30% dos fertilizantes globais a transitar pelo estreito de Ormuz, pequenos agricultores em regiões vulneráveis poderão ser severamente afetados na próxima época de plantação.

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Fonte: Sapo

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