O Conselho de Segurança da ONU agendou para hoje a votação de uma resolução que exige a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o comércio global. Esta votação, que já sofreu vários adiamentos, surge após a pressão dos países árabes e a necessidade de garantir a segurança da navegação nesta área estratégica.
A versão mais recente do projeto de resolução, à qual a AFP teve acesso, condena os ataques iranianos a navios e incentiva os Estados a coordenarem esforços para assegurar a segurança no Estreito de Ormuz. A resolução propõe medidas defensivas, incluindo a escolta de navios mercantes, para garantir a liberdade de navegação.
O texto exige que o Irão cesse imediatamente qualquer ataque contra os navios que transitam por esta rota, que representa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás. Além disso, o Conselho de Segurança manifestou a disposição de considerar outras medidas contra aqueles que comprometerem essa liberdade de navegação.
A resolução, apoiada pelos países do Golfo, foi inicialmente mais robusta, prevendo um mandato claro da ONU para que os Estados pudessem usar a força para desobstruir o Estreito de Ormuz. Contudo, devido a objeções de membros permanentes como a Rússia e a China, o texto foi gradualmente enfraquecido. A votação, que estava marcada para quinta-feira, foi adiada várias vezes, refletindo as tensões geopolíticas em jogo.
A votação está prevista para hoje às 11:00, hora de Nova Iorque (16:00 em Portugal), e ocorre num contexto de ultimato do Presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou ações severas contra o Irão caso não reabra o Estreito de Ormuz.
Na passada sexta-feira, o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) pediu à ONU autorização para o uso da força, argumentando que o Irão tem fechado o estreito, dificultando a passagem de navios comerciais. O secretário-geral do GCC, Jassem Al-Budaiwi, apelou ao Conselho de Segurança para que tome medidas decisivas para proteger os corredores marítimos e garantir a continuidade da navegação internacional.
Entretanto, a resistência à resolução por parte de países como França, Rússia e China tem sido notória. O embaixador chinês, Fu Cong, alertou que autorizar o uso da força poderia levar a uma escalada do conflito. A Rússia, aliada do Irão, também criticou o texto como tendencioso.
O Bahrein, que atualmente preside o Conselho de Segurança, destacou a importância de proteger o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio e a segurança. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein expressou esperança de que a resolução seja aprovada por unanimidade.
A situação no Estreito de Ormuz é crítica, especialmente após os recentes ataques militares dos EUA e de Israel ao Irão, que provocaram uma escalada de tensões na região. O Irão, em resposta, tem retaliado, o que resultou em um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.
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Fonte: Sapo





