A guerra no Irão tem gerado uma onda de instabilidade nos mercados financeiros, e o impacto no crédito à habitação em Portugal é uma preocupação crescente. A relação entre conflitos internacionais e a economia local pode parecer distante, mas as consequências são bem reais, especialmente quando se trata do custo das prestações de crédito à habitação.
O Banco Central Europeu (BCE) tem como principal objetivo manter a inflação na Zona Euro em torno dos 2%. Para isso, utiliza a fixação das taxas diretoras, que influenciam diretamente o financiamento na região. A taxa mais relevante para as famílias com crédito à habitação é a Euribor, que já começou a refletir as expectativas de aumento das taxas, mesmo antes de qualquer decisão oficial do BCE.
A guerra no Médio Oriente tem dificultado o acesso a matérias-primas, o que, por sua vez, eleva os preços dos bens de consumo e, consequentemente, a inflação. A expectativa dos mercados em relação ao que o BCE e a Reserva Federal Americana farão nas próximas reuniões é elevada. Embora as taxas se mantenham estáveis por agora, a Euribor já subiu, antecipando um cenário de taxas mais altas no futuro.
Com a subida da Euribor, os impactos no crédito à habitação são inevitáveis. Ao contratar um crédito, os clientes podem optar por taxas de juro fixas, variáveis ou mistas. Não existe uma opção universalmente melhor; a escolha deve ser feita com base no perfil de risco de cada um. Curiosamente, os portugueses, conhecidos por serem conservadores em matéria de risco, têm demonstrado um comportamento diferente neste sector. Em janeiro de 2021, 87% dos empréstimos para habitação própria permanente eram contratados com taxa variável, ou seja, indexados à Euribor e, portanto, mais suscetíveis às oscilações do mercado.
No entanto, cinco anos depois, em janeiro de 2026, apenas 20% dos empréstimos desse tipo são feitos com taxa variável. Isso não significa que a maioria tenha optado por taxas fixas, que representam apenas 3% dos novos créditos à habitação. Em vez disso, a maioria tem escolhido taxas mistas, que são fixas durante um período inicial e depois se tornam variáveis. Isso implica que, após alguns anos, estas famílias voltarão a estar expostas às flutuações da Euribor.
Dessa forma, muitas famílias que contrataram crédito recentemente estão, de facto, protegidas do impacto imediato da subida da Euribor. Contudo, aqueles que optaram por taxas mistas devem estar cientes de que essa proteção é temporária. A responsabilidade financeira de um crédito à habitação não deve ser subestimada, especialmente num contexto de instabilidade económica. É fundamental que os mutuários estejam preparados para a volatilidade e adotem uma gestão prudente das suas finanças pessoais.
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Fonte: Sapo





