O recente cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão trouxe alguma esperança aos mercados, especialmente no que diz respeito à reabertura do estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. Este acordo temporário poderá aliviar as preocupações sobre o abastecimento e, consequentemente, reduzir os preços do petróleo. No entanto, os analistas alertam para a necessidade de um otimismo cauteloso.
Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors, sublinha que a resolução da discórdia central — o programa nuclear do Irão e as garantias de segurança dos EUA — ainda é incerta. Ele destaca que a situação geopolítica pode justificar a manutenção de um prémio de risco elevado nos preços da energia. “Parece justificar-se um prémio de risco geopolítico contínuo — e possivelmente elevado — nos preços da energia”, afirma Schulz.
Por outro lado, Paul Donovan, economista-chefe da UBS Global Wealth Management, observa que os mercados têm uma tendência a interpretar o cessar-fogo como um sinal de que o conflito chegou ao fim. Contudo, ele alerta que a falta de confiança do Irão em relação ao compromisso dos EUA pode ser um fator a considerar. “É importante analisar os motivos desta mudança”, diz Donovan.
O clima nos mercados é de otimismo cauteloso, conforme explica Tim Waterer, analista de mercado chefe da KCM Trade. “O cessar-fogo tem apenas duas semanas de duração, e os mercados estarão atentos para ver se o tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz se normaliza”, afirma. Enquanto isso, Takashi Hiroki, estratega-chefe da Monex, reconhece que existem motivos para estar otimista, mas avisa que “ainda é demasiado cedo para ter a certeza”.
A reação imediata ao cessar-fogo foi uma queda de cerca de 15% no preço do petróleo, que agora ronda os 95 dólares por barril. Charu Chanana, da Saxo Markets, explica que esta descida é compreensível, uma vez que a reabertura do estreito de Ormuz afasta o principal risco petrolífero a curto prazo. Stephen Innes, da SPI Asset Management, acrescenta que a decisão da Casa Branca de optar por um cessar-fogo condicional ajudou a estabilizar o mercado do petróleo.
No entanto, Innes alerta que, para que esta evolução se mantenha, os operadores precisarão de mais do que apenas declarações diplomáticas. “Terão de constatar uma retoma efetiva do tráfego no Estreito de Ormuz”, enfatiza. Enquanto isso, Chanana adverte que o cessar-fogo não resolve todos os riscos subjacentes, e os investidores devem estar atentos à real situação no estreito e ao ritmo de restabelecimento do abastecimento energético.
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Fonte: ECO





