O economista de mercados emergentes da Aberdeen Investments, Michael Langham, afirmou que o recente cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão, anunciado na madrugada de quarta-feira, pode ajudar a controlar o choque económico global resultante do conflito. Se este cessar-fogo se mantiver e se houver um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, as consequências económicas poderão ser geridas de forma mais eficaz.
Langham sublinha que, neste cenário, o impacto temporário nos preços das matérias-primas “pode não ser repercutido” nos consumidores ou nas empresas em algumas economias. “Os bancos centrais poderão retomar as políticas que seguiam antes do conflito, focando-se mais no crescimento se os preços normalizarem rapidamente”, acrescenta.
O economista considera que o cessar-fogo representa uma “cedência” por parte da administração Trump e do regime iraniano. No entanto, alerta que a durabilidade deste cessar-fogo é incerta. “Os custos económicos da continuação do conflito são elevados, não apenas para os países envolvidos, mas para a economia global como um todo. Acreditamos que as partes interessadas em travar o conflito intensificarão os esforços para encontrar um acordo que satisfaça todas as partes”, afirma Langham.
Contudo, ele expressa dúvidas sobre a viabilidade de um acordo duradouro, especialmente em relação às condições propostas pelo Irão. “É improvável que os Estados Unidos concordem em retirar a sua presença militar no Golfo, e não está claro quem suportará os custos da reconstrução do Irão”, acrescenta.
As implicações a longo prazo deste conflito incluem um aumento das despesas globais com defesa e segurança energética, especialmente no Médio Oriente e na Ásia. “Reduzir a dependência do Estreito de Ormuz será uma prioridade para o Conselho de Cooperação do Golfo, mas isso poderá enfraquecer a posição dos Estados Unidos na região”, explica Langham.
Ray Sharma-Ong, vice-diretor global de Soluções Personalizadas Multiativos da Aberdeen Investments, defende que os mercados não precisam de certeza absoluta para se recuperarem. “Um cessar-fogo reduz significativamente o risco de escalada no curto prazo, o que pode levar a uma rápida reprecificação”, afirma.
Ele lembra que, em situações anteriores, como a pausa nas tarifas comerciais em 2025, a eliminação do risco extremo foi suficiente para desencadear uma forte recuperação nos mercados. “Acreditamos que a recuperação será mais forte nos mercados asiáticos que foram mais afetados pelo choque petrolífero”, conclui.
Em suma, se o cessar-fogo se mantiver e o Estreito de Ormuz for reaberto, os mercados poderão estabilizar-se, embora os riscos permaneçam elevados. Leia também: “Impactos económicos do conflito no Médio Oriente”.
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Fonte: Sapo





