Bancos sob pressão para demonstrar ganhos com inteligência artificial

Os bancos estão a investir fortemente em inteligência artificial (IA), acreditando que esta tecnologia pode transformar o setor. Contudo, a realidade é que apenas uma pequena fração das instituições financeiras consegue atualmente demonstrar ganhos com inteligência artificial. Um estudo recente da consultora KPMG revela que apenas 26% dos bancos reportaram um aumento nas receitas devido à adoção da IA. Este cenário reflete um desfasamento entre a ambição e a execução, que também se aplica a Portugal.

Embora a maioria dos bancos acredite que a implementação da IA lhes conferirá uma vantagem competitiva no futuro, os resultados até agora têm sido modestos, focando-se mais em ganhos de eficiência do que em crescimento de receitas. O estudo destaca que muitos bancos estão a experimentar a IA em projetos isolados, como chatbots e marketing personalizado, mas enfrentam dificuldades em extrair valor significativo desses esforços.

A pressão dos acionistas é um fator importante a considerar. Cerca de 70% dos bancos sentem a necessidade de justificar os seus investimentos em inteligência artificial, com a expectativa de que esta tecnologia gere retornos tangíveis. O estudo indica que a maioria dos líderes bancários reconhece o potencial da IA, mas enfrenta um “execution gap”, onde a tecnologia avança mais rapidamente do que a capacidade das instituições de a transformar em valor económico.

Rodrigo Lourenço, Partner Head of Financial Services da KPMG em Portugal, salienta que os bancos estão a investir em IA tanto por convicção como por receio de ficarem para trás em relação à concorrência. No entanto, muitos ainda não resolveram questões fundamentais, como a qualidade dos dados e a integração operacional, o que limita a eficácia da implementação da IA.

Além disso, os bancos enfrentam desafios em áreas altamente regulamentadas, como a concessão de crédito e a conformidade, onde a implementação da IA é mais complexa. A escassez de talento especializado e a fragmentação dos dados são outros obstáculos que dificultam a adoção da tecnologia.

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Em Portugal, a situação é semelhante à média europeia, com os bancos a fazerem progressos em eficiência operacional e automação, mas ainda a lutarem para utilizar a IA como motor de crescimento. Ricardo Lourenço afirma que os desafios enfrentados pela banca nacional são de escala e integração, refletindo as limitações identificadas no estudo global.

Para alguns bancos que já perceberam a importância da IA, a integração desta tecnologia nas suas principais operações tem permitido ganhos significativos. Estes bancos investem em qualidade de dados e infraestrutura, focando-se não apenas no retorno financeiro imediato, mas também em fatores como inovação e lealdade dos clientes, que podem levar a um crescimento sustentável a médio prazo.

O estudo da KPMG sugere um plano de três fases para uma implementação bem-sucedida da IA: habilitar, integrar e evoluir. A mensagem central é clara: o risco não está em investir em IA, mas sim em fazê-lo sem uma transformação organizacional adequada. A tecnologia, por si só, não gera valor; este surge quando a IA é integrada na estratégia e na cultura da organização.

Leia também: O impacto da IA na eficiência operacional dos bancos.

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Fonte: ECO

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