Aristóteles afirmava que a virtude reside no equilíbrio, entre o excesso e a falta. Este conceito é aplicável à política, onde o centro é frequentemente o caminho para a vitória eleitoral. Contudo, a busca incessante por consenso pode, paradoxalmente, levar à inação. Quando a prudência se transforma em bloqueio, o resultado é uma estagnação que consome recursos e energia, sem levar a qualquer progresso.
Existem vários setores em que a situação permanece inalterada, apesar das expectativas de resultados diferentes. A justiça, por exemplo, sofre com a morosidade dos tribunais administrativos e fiscais. A habitação enfrenta longos processos de licenciamento, enquanto a proteção civil e a infraestrutura, como a ferrovia e as grandes obras públicas, continuam a ser alvo de críticas. O novo aeroporto de Lisboa é um exemplo claro da ineficiência que permeia estas áreas. O debate, que deveria ser construtivo, acaba por se prolongar até perder relevância, enquanto o tempo, em vez de pressionar para a ação, legitima a paralisia.
A expressão “coragem política” é temida pelos políticos, pois implica a necessidade de tomar decisões difíceis que podem ter custos. Para cada proposta que surge, há sempre um “mas” que impede a mudança. Um parceiro social da CGTP uma vez mencionou que a organização é a maior defensora do acordo que nunca assinou. Este exemplo ilustra bem como a inação não é uma posição neutra, mas sim uma escolha deliberada.
A coragem política é, portanto, essencial para que possamos avançar. É necessário que os líderes reconheçam que a estagnação não é uma solução viável. A falta de ação em áreas críticas não só afeta a eficiência do Estado, mas também a qualidade de vida dos cidadãos. A sociedade espera que os responsáveis tomem decisões que promovam o progresso, em vez de se refugiarem na segurança da inação.
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Fonte: Sapo





