A situação no sul do Líbano continua a ser um foco de tensões internacionais, com dezenas de países a pressionar Israel para interromper os seus ataques. Esta pressão surge num contexto delicado, onde a manutenção de uma frente de guerra contra os interesses do Irão pode comprometer o cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e a liderança iraniana. Pelo menos 18 países europeus, excluindo Portugal, assinaram uma declaração conjunta exigindo o fim dos combates entre Israel e o Hezbollah, um grupo guerrilheiro apoiado pelo Irão.
França, Alemanha e o Reino Unido, embora não tenham assinado a declaração, também expressaram a mesma exigência através de canais diplomáticos. Além disso, uma declaração conjunta de Reino Unido, Alemanha, Canadá, França e Itália defende que uma ofensiva terrestre de grande escala no Líbano deve ser evitada. A China também se manifestou, apelando à moderação e à proteção da população civil, enquanto o Paquistão, um ator chave nas negociações entre os EUA e o Irão, pediu a Israel que cessasse os ataques para garantir a paz na região.
Apesar da pressão internacional, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que apoia os esforços do Paquistão, mas considera que a situação no Líbano não está incluída no cessar-fogo. Netanyahu reafirmou que os ataques continuarão enquanto Israel não atingir os seus objetivos de segurança, que incluem desarmar o Hezbollah e, em termos não oficiais, erradicar o grupo. O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, criticou Israel, afirmando que o país ignora os apelos internacionais e os princípios do direito internacional.
A expectativa de um cessar-fogo no Líbano é baixa, dado o histórico de Netanyahu em ignorar as solicitações da comunidade internacional. Esta postura tem sido evidente não apenas em relação ao Líbano, mas também em Gaza e na Cisjordânia.
Por outro lado, o Irão deixou claro que a guerra no Líbano é uma linha vermelha nas negociações que ocorrerão em Islamabad, no Paquistão. O Irão também advertiu que a livre circulação de navios pelo Estreito de Ormuz estará condicionada ao fim dos ataques aéreos sobre o Líbano. A situação é crítica, pois a questão do Líbano pode colocar em risco o cessar-fogo e reverter os esforços de paz entre os EUA e o Irão.
Analistas alertam que, se as negociações falharem, o conflito pode intensificar-se rapidamente. A Casa Branca sugere que um retorno ao confronto poderia levar os EUA a usar todo o seu arsenal convencional contra o Irão, embora essa possibilidade seja vista com ceticismo por muitos. Além disso, alguns especialistas levantam a hipótese de Israel recorrer a armas nucleares táticas para neutralizar o programa nuclear iraniano, apesar de o país afirmar não possuir tal armamento.
Neste cenário, as expectativas para as negociações em Islamabad não são animadoras. A comitiva iraniana incluirá o presidente do parlamento e um ex-comandante da Guarda Revolucionária, enquanto os EUA estarão representados pelo vice-presidente JD Vance. A possibilidade de uma segunda ronda de negociações, mesmo sem data marcada, parece ser o melhor resultado que se pode esperar.
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Fonte: Sapo





