Na sua recente palestra na Porto Business School, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sublinhou a necessidade de Portugal reforçar a sua presença no Indo-Pacífico. Rangel, conhecido pelo seu conhecimento histórico e geográfico, argumentou que a relevância diplomática de Portugal está diretamente ligada à capacidade do país de se adaptar à mudança do peso geopolítico do Atlântico para esta região emergente.
O ministro lembrou que esta transformação não é um fenómeno recente, mas uma tendência que exige uma resposta eficaz da diplomacia portuguesa. Com Portugal a ser um país rodeado por mar e por Espanha, a diminuição da influência atlântica requer uma nova abordagem. Rangel enfatizou que é crucial seguir o “sentido do vento” e estabelecer interesses no Indo-Pacífico.
Recentemente, Rangel esteve em Hanói, no Vietname, onde inaugurou a representação diplomática portuguesa. Além disso, anunciou a reabertura da embaixada nas Filipinas e a criação de um consulado em Katmandu, na Índia. O ministro também mencionou a possibilidade de abrir um escritório em Sidney, na Austrália, e um consulado em Bacu, no Azerbaijão. Estas iniciativas visam fortalecer a presença de Portugal no Indo-Pacífico, uma região com um potencial estratégico crescente.
Rangel destacou que, apesar da distância, existe um conhecimento profundo sobre Portugal em várias partes do mundo, o que facilita a construção de relações bilaterais. Ele afirmou que é fundamental passar de um modelo bilateral para um multilateral, permitindo que Portugal mantenha a sua relevância no cenário internacional. O conceito de “multilateralismo bilateralizado” foi introduzido por Rangel, que defende que, através de parcerias bilaterais, Portugal pode tecer uma rede multilateral que amplifique a sua influência.
O ministro também abordou a questão do financiamento, afirmando que é possível estabelecer estas relações com um investimento relativamente modesto, comparado aos gastos em áreas como a Defesa. Rangel sublinhou que os estados pequenos e médios enfrentam desafios únicos e que a universalidade do ser português deve guiar a diplomacia do país.
Após a sua apresentação, que foi bem recebida pela audiência, Rangel voltou à sua função ministerial, evitando comentários sobre questões delicadas como a situação no Irão. A sua mensagem clara e assertiva sobre a importância do Indo-Pacífico para a diplomacia portuguesa ressoou entre os presentes, que demonstraram um interesse genuíno pela nova estratégia do país.
Leia também: A importância do Indo-Pacífico nas relações internacionais.
Leia também: Navio turco inicia prospeção de petróleo na Somália
Fonte: Sapo





