Reservas de gasóleo em Portugal só duram um mês

Portugal está a enfrentar uma situação preocupante em relação às suas reservas de gasóleo, que atualmente cobrem apenas um mês de consumo. Esta realidade surge num contexto em que a guerra no Médio Oriente tem revelado a dependência excessiva da Europa em relação aos combustíveis provenientes do Golfo Pérsico. O impacto não se limita apenas ao aumento dos preços, mas também à disponibilidade destes produtos essenciais.

De acordo com dados da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), as reservas de gasóleo em Portugal estavam abaixo das 300 mil toneladas no final de 2025. Este número é alarmante, considerando que o consumo médio mensal do país ultrapassou as 350 mil toneladas nos últimos dois anos. A situação torna-se ainda mais crítica se considerarmos que a maior parte do gasóleo consumido em Portugal provém de importações, com 85% a ter origem em Espanha e 14% nos Países Baixos.

Atualmente, apenas 25% do gasóleo consumido em Portugal é importado, enquanto 75% é produzido na única refinaria nacional, localizada em Sines. Apesar de o país também exportar gasóleo, com Marrocos a ser o principal destino, a crescente dependência de importações levanta preocupações sobre a vulnerabilidade do mercado.

O BNP Paribas alertou para a fragilidade da situação, afirmando que os stocks europeus garantem apenas uma solução temporária. Embora os níveis de reservas na Europa assegurem, por enquanto, alguma estabilidade, Portugal enfrenta um cenário de apenas 30 dias de reservas, em comparação com os 71 dias de consumo médio na Europa. A redução da capacidade de refinação nas últimas décadas tem aumentado a dependência de importações, especialmente da Ásia e do Médio Oriente.

Embora, até ao momento, não se tenham registado constrangimentos físicos no abastecimento na Europa, o mercado deverá continuar sob pressão nas próximas semanas. O setor da aviação já enfrenta uma visibilidade limitada quanto à disponibilidade de combustível para além de um horizonte de 5 a 6 semanas. Mais de 60% das importações de combustível para aviões em Portugal provêm do Golfo Pérsico, e os preços dispararam desde o início da guerra, especialmente após o Irão ter fechado o estreito de Ormuz.

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Em 2024, o Kuwait destacou-se como o maior fornecedor de jet fuel para Portugal, com 241 mil toneladas, seguido pela Coreia do Sul e pela China. A Ryanair já alertou para o risco de escassez de combustível para aviões, o que poderia agravar ainda mais a situação. Se a guerra terminar e o estreito de Ormuz reabrir, o risco de fornecimento poderá ser mitigado. Contudo, a incerteza persiste, e a escassez poderá ser uma realidade em maio.

Leia também: A evolução dos preços dos combustíveis em Portugal.

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Fonte: Sapo

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