Impacto da guerra no Irão: empresas enfrentam dificuldades para aumentar preços

A escalada dos preços da energia, impulsionada pelo conflito no Médio Oriente, já está a refletir-se na inflação da Zona Euro, que subiu para 2,5% em março. Bruno de Moura Fernandes, economista-chefe da Coface, antecipa que o Banco Central Europeu (BCE) poderá aumentar as taxas de juros na sua reunião de junho, caso a guerra se prolongue. Apesar de um recente cessar-fogo, a situação continua instável e os impactos económicos são incertos.

Segundo Bruno de Moura Fernandes, as empresas não terão a mesma facilidade que tiveram em 2022 para transferir os aumentos de custos para os consumidores. “A pressão nos preços pode ser mais duradoura, mas as empresas estão mais limitadas na sua capacidade de aumentar preços”, afirma. O economista destaca que, enquanto os preços do petróleo estão a negociar acima dos 100 dólares por barril, a situação no mercado de gás é diferente, com os preços ainda longe dos níveis de 2022.

A incerteza em torno da duração do conflito é uma preocupação central. “Quanto mais tempo durar, mais os impactos serão duradouros”, explica Fernandes. A guerra já está a afetar não só os preços da energia, mas também os de outros produtos, como o alumínio e fertilizantes. Para Portugal, que não está diretamente exposto aos produtos do Golfo, o impacto será sentido através da cadeia de abastecimento, afetando os preços e, consequentemente, o rendimento das famílias.

O economista-chefe sublinha que a taxa de poupança atual não é tão elevada como em 2021, quando as famílias tinham maior poder de compra. “As empresas não podem subir preços tão facilmente como antes, pois a procura não é tão forte”, alerta. Este cenário é diferente do que se observou no final de 2021, quando a inflação disparou devido a pressões de procura e oferta.

Leia também  Lucro do BPI cai 12% até setembro, apesar do aumento de negócios

Além disso, o mercado laboral apresenta uma realidade distinta. As taxas de emprego não estão tão baixas como em 2022, e a economia já mostra sinais de abrandamento, com um aumento leve da taxa de desemprego. “As empresas não vão contratar nem lançar novos projetos, adotando uma postura de espera”, prevê Fernandes.

O impacto da guerra na economia portuguesa é significativo, com a Coface a antecipar um crescimento de 2% para 2026, embora reconheça que a guerra terá efeitos na atividade económica. “A confiança das famílias diminuiu, e isso pode levar a uma menor disposição para gastar”, refere o economista.

Em termos de comércio internacional, Bruno de Moura Fernandes destaca a importância dos acordos comerciais que a Europa está a estabelecer com outras regiões, como a Índia e o Mercosul. “Estes acordos são um sinal positivo, mas a concorrência da China será um desafio”, afirma. Apesar disso, acredita que as exportações portuguesas ainda têm potencial para crescer, especialmente se a guerra não se prolongar.

A situação continua a ser monitorizada, e a evolução dos preços e da inflação será crucial para o futuro económico de Portugal. “Leia também: O impacto da inflação na economia portuguesa”.

Leia também: Claude Mythos: o novo modelo de IA que está a causar alvoroço

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top