Mercosul e EFTA assinam acordo de livre comércio para 290 milhões

O Mercosul assinou, esta terça-feira, um importante acordo de livre comércio com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), que inclui países como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. A cerimónia decorreu no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, durante uma reunião de chanceleres dos membros do Mercosul, que é presidido temporariamente pelo Brasil até ao final do ano.

Com este acordo de livre comércio, os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, a Bolívia — terão acesso preferencial aos mercados da EFTA, abrangendo cerca de 290 milhões de consumidores e um PIB total de aproximadamente 4,39 triliões de dólares (cerca de 3,7 biliões de euros). Este acordo, que foi resultado de oito anos de negociações, representa uma oportunidade significativa para a expansão do comércio entre as regiões.

Os produtos industriais e pesqueiros da EFTA terão 100% das tarifas de importação eliminadas assim que o acordo de livre comércio entrar em vigor. No que diz respeito aos produtos agrícolas, haverá desde livre comércio até um conjunto de quotas de importação. Por exemplo, o Mercosul poderá exportar para a Suíça produtos como café torrado, álcool etílico e frutas, enquanto a Noruega permitirá a importação de ração animal e amendoim.

Um dos pontos altos deste acordo é a possibilidade de os consumidores latino-americanos adquirirem chocolates suíços a preços mais acessíveis. Atualmente, os chocolates enfrentam uma tarifa de 20% para entrar nos países do Mercosul, mas com o novo acordo, as importações poderão ser feitas com tarifa zero, embora limitadas em volume.

As negociações entre o Mercosul e a EFTA tiveram início em 2017 e contaram com 14 reuniões. O acordo prevê quotas preferenciais para produtos como milho, carne bovina, óleos vegetais e vinho tinto. Além disso, os produtos do Mercosul poderão competir pelas quotas que os países têm na Organização Mundial do Comércio (OMC), aumentando assim as oportunidades de exportação.

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Durante a reunião de chanceleres, foram também apresentadas as prioridades da presidência temporária brasileira, que incluem a consolidação da união aduaneira e o apoio à adesão plena da Bolívia ao bloco. Outro tema em destaque é o lançamento de um programa de estratégia do Mercosul para combater o crime organizado, promovendo a cooperação entre os países na área da segurança pública.

Este acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA é um passo significativo para a integração económica e comercial entre a América do Sul e a Europa, proporcionando novas oportunidades para empresas e consumidores. Leia também: O impacto do acordo de livre comércio na economia brasileira.

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Fonte: Sapo

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