Recentemente, um relatório da Gallup trouxe à luz um dado surpreendente: pela primeira vez em quase duas décadas, a China ultrapassou os Estados Unidos na aprovação global da sua liderança, alcançando 36% contra 31% em 2025. Este fenómeno, que à primeira vista pode parecer uma simples vitória chinesa, revela na verdade uma transformação mais profunda nas dinâmicas de poder internacional.
Os números são claros. A China registou um aumento moderado na sua aprovação, passando de 32% para 36%, enquanto os Estados Unidos enfrentaram uma queda acentuada, de 39% para 31%. Além disso, a desaprovação dos EUA subiu para 48%, o nível mais elevado já registado. Este não é apenas um sinal de oscilações políticas, mas sim um indicativo de um desgaste estrutural da confiança na liderança americana.
O relatório da Gallup, que se baseia em pesquisas realizadas em mais de 130 países ao longo de 2025, revela que o declínio da aprovação dos EUA é particularmente significativo entre os seus aliados históricos. Países como a Alemanha, Portugal e o Reino Unido registaram quedas acentuadas na confiança, o que indica uma reconfiguração das relações internacionais. O que antes era um sistema de alianças baseado na confiança e previsibilidade, agora enfrenta um escrutínio crescente e uma volatilidade política que pode ter consequências duradouras.
Os comportamentos do governo de Donald Trump, incluindo decisões controversas e uma postura agressiva em relação a vários países, contribuíram para esta percepção de imprevisibilidade estratégica. A ideia de anexação da Gronelândia, a condução de uma guerra assimétrica contra o Irão e o afastamento da NATO são apenas alguns exemplos que têm dilapidado a imagem dos Estados Unidos no cenário global. Se a situação atual já é preocupante, é provável que as próximas medições revelem uma deterioração ainda mais acentuada.
Se esta tendência se consolidar, a questão que se coloca não será apenas quem lidera, mas quem oferece condições mais estáveis num sistema internacional em transformação. A ascensão da China, longe de ser uma ruptura, pode ser vista como uma consequência lógica de um mundo que se afasta da ideia de uma única centralidade de poder.
A história, muitas vezes, não anuncia as suas mudanças de forma clara. Contudo, quando um simples gráfico revela tais transformações, é fundamental reconhecer os sinais de mudança que estão a moldar o futuro das relações internacionais.
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Fonte: Sapo





