Companhias aéreas alertam para riscos de cancelamento de voos

As companhias aéreas começam a emitir alertas sobre os riscos de cancelamento de voos devido à escassez de combustível provocada pela guerra no Médio Oriente. A Lufthansa, por exemplo, ainda não cancelou voos, mas já considera essa possibilidade “inevitável” em algumas rotas, especialmente na Ásia, onde a falta de querosene é mais crítica.

Carsten Spohr, presidente da Lufthansa, afirmou que “o querosene vai permanecer com fraca oferta e mais caro para o resto do ano”. Para mitigar os impactos, a companhia planeia reduzir a sua capacidade em 2,5% a 5%, o que pode resultar em 20 a 40 aviões mais antigos e menos eficientes a ficarem em terra.

Apesar das dificuldades, a Lufthansa prevê receitas recorde nas rotas asiáticas, beneficiando da diminuição de voos das companhias do Golfo Pérsico, que foram forçadas a reduzir operações devido à instabilidade na região. Por outro lado, a Virgin Atlantic anunciou que possui reservas de combustível para mais seis semanas, mas a situação torna-se incerta após esse período.

As companhias aéreas europeias, agrupadas na associação Airlines for Europe (A4E), solicitaram à União Europeia medidas de emergência para enfrentar a crise energética. Entre as propostas estão a compra conjunta de jet fuel e a suspensão de taxas de carbono e impostos. A A4E também defende que os países europeus aumentem as suas reservas estratégicas de combustível.

A Europa depende fortemente do Golfo Pérsico, que fornece cerca de 50% do jet fuel consumido na região. Em Portugal, mais de 60% das importações de combustível para aviões provêm desta área. Embora o país produza 75% do jet fuel que consome, a importação de 25% é uma preocupação, especialmente com os preços a mais do que dobrar desde o início do conflito no Médio Oriente.

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Dados da Direção-Geral de Energia (DGEG) indicam que Portugal comprou 475 mil toneladas de jet fuel em 2024, enquanto o consumo total ultrapassou 1,87 milhões de toneladas. A consultora Argus alerta que, se a situação não mudar, Portugal poderá enfrentar uma escassez de jet fuel em quatro meses, tornando-se um dos países mais vulneráveis na Europa.

A aviação é vital para o turismo em Portugal, que movimentou mais de 73 milhões de passageiros em 2025, contribuindo significativamente para a economia nacional. A Ryanair também já expressou preocupações sobre a escassez de combustível na Europa, prevendo um risco de 10% a 25% nos seus abastecimentos em maio e junho, caso a guerra continue.

Em Itália, a BP emitiu um aviso às companhias aéreas sobre restrições de combustível em alguns aeroportos. O encerramento de refinarias na Europa ocidental está a agravar a pressão sobre o fornecimento de jet fuel, enquanto países como a Polónia e a Grécia, que têm produção nacional suficiente, estão menos expostos a estas disrupções.

A análise da Argus conclui que, embora a guerra no Médio Oriente não deva levar a uma falta total de produtos petrolíferos na Europa, os stocks podem cair para níveis preocupantes, resultando em escassez localizada e oscilações bruscas nos preços.

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Fonte: Sapo

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