Portugal tem um potencial petrolífero significativo, mas a falta de avaliações adequadas impede a exploração comercial. Desde há quase 100 anos que se procura petróleo no país, mas após 300 avaliações, ainda não se sabe se existem quantidades viáveis para exploração. Este tema torna-se ainda mais relevante num contexto de crise energética global, como sublinha a Agência Internacional de Energia (IEA), que afirma que a atual crise é mais impactante do que o choque petrolífero da década de 70.
Os preços do petróleo dispararam 40% este ano, com o barril a negociar perto dos 100 dólares. Este mês, o preço do barril para entrega imediata atingiu um recorde de mais de 144 dólares. Rui Pena dos Reis, especialista em geologia, afirma que “temos um enorme potencial no offshore”, referindo-se à exploração marítima. Pedro Sampaio Nunes, especialista em energia, defende que é importante estudar o potencial de gás no Algarve, que foi bloqueado por razões políticas.
As entidades oficiais, como a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), têm destacado as perspetivas positivas para a exploração de hidrocarbonetos. A Galp, uma das empresas com áreas concessionadas em Portugal, salienta que a avaliação responsável dos recursos nacionais pode ajudar a reduzir a dependência externa e a reforçar a segurança energética, embora advirta que esses projetos têm um horizonte de longo prazo e não são uma solução imediata para a crise energética.
Além do petróleo, Portugal também possui potencial para a exploração de gás. A Repsol tinha planos para avaliar o potencial na costa do Algarve, mas recuou devido a críticas. A empresa já explora gás em campos próximos, o que levanta a possibilidade de haver gás na região. O gás apresenta uma vantagem em relação ao petróleo, pois não está associado ao risco de derrames.
Desde 2015, o número de empresas interessadas na pesquisa de petróleo e gás em Portugal tem diminuído, em grande parte devido à pressão da opinião pública e de grupos ambientalistas. A última empresa a desistir foi a Australis, que abandonou os seus projetos em 2020. Apesar disso, Rui Pena dos Reis acredita que existem condições técnicas para retomar a pesquisa de hidrocarbonetos, uma vez que já foi produzida muita informação sobre o potencial petrolífero do país.
Portugal tem a obrigação, segundo o direito internacional, de conhecer os seus recursos, especialmente agora que a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) se alargou para 400 milhas. Pedro Sampaio Nunes menciona a viabilidade do gás e a possibilidade de explorar o gás de xisto, conhecido como “shale gas”.
Um relatório de 2018 da ENSE confirma a existência de potencial petrolífero nas bacias sedimentares portuguesas, embora a pesquisa ainda não tenha revelado reservatórios economicamente viáveis. Entre 1938 e 1985, foram realizadas quase 125 sondagens em terra, com 75% a mostrar bons indícios. No mar, 24% das avaliações também detetaram indícios.
O atual governo de António Costa impôs restrições à atribuição de novas concessões de prospeção ou exploração de hidrocarbonetos, o que limita a capacidade de conhecer o potencial do país. A Noruega, por exemplo, tem sido um modelo a seguir, utilizando as receitas do petróleo para criar um fundo de investimento que beneficia as gerações futuras.
O ambiente político em Portugal não parece favorável à retoma da pesquisa de hidrocarbonetos, com especialistas a alertarem que as autoridades se deixaram influenciar por grupos que geram alarme sem fundamento técnico. A Galp reafirma que qualquer decisão sobre novas concessões deve ser uma política pública integrada, que considere a descarbonização e a segurança do abastecimento.
As formações geológicas de Portugal, que têm semelhanças com regiões produtoras de petróleo, reforçam a ideia de que o país possui um potencial petrolífero que merece ser explorado. A ENSE já defendeu a necessidade de prosseguir estudos no mar para aumentar o conhecimento sobre os recursos disponíveis.
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Fonte: Sapo





