A BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, está a adotar uma postura mais cautelosa em relação às ações europeias. Este novo posicionamento surge num momento em que os custos da energia estão a aumentar e o diferencial de avaliação entre as ações europeias e as norte-americanas está a encolher. Helen Jewell, responsável pela gestão de ações fundamentais na BlackRock, afirmou que a Europa já não parece tão atrativa como há um ano e está mais vulnerável a choques globais nos preços do petróleo e do gás.
De acordo com a análise da gestora, o impacto crescente dos preços da energia sobre o consumo, aliado ao aumento dos custos de financiamento, exige uma abordagem mais seletiva no mercado europeu. No início do ano, a BlackRock mostrava-se otimista, esperando uma recuperação que se estendesse a setores além da banca e da defesa. No entanto, a situação mudou com o agravamento do conflito no Irão, que trouxe incertezas adicionais.
Jewell destacou que setores como saúde, luxo e indústria estão a enfrentar pressões significativas. Estes segmentos já tinham sido afetados por tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela valorização do euro, e agora enfrentam novos desafios devido ao aumento dos preços do petróleo e ao encarecimento do crédito. Os consumidores, por sua vez, estão a mostrar sinais de maior prudência nas suas decisões de compra.
Apesar das dificuldades, a BlackRock mantém uma visão positiva sobre alguns segmentos do mercado europeu, como defesa, banca e semicondutores. Contudo, a gestora alerta para o risco de uma concentração excessiva de investidores nestas áreas, o que pode resultar em quedas acentuadas no mercado caso surjam notícias negativas.
Os dados recentes indicam que os fluxos para fundos de ações europeias desaceleraram desde o início do conflito no Irão. Em contraste, as ações norte-americanas registaram um aumento significativo de entradas líquidas em abril, superando qualquer outro mês de 2026. Esta mudança de dinâmica pode refletir uma maior confiança dos investidores no mercado norte-americano em comparação com o europeu.
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Fonte: ECO





