Aumento da procura por seguros cibernéticos devido a tensões no Irão

As tensões geopolíticas resultantes do conflito entre os Estados Unidos e o Irão estão a provocar um aumento da procura por seguros cibernéticos. De acordo com uma análise da Morningstar DBRS, a intensificação da guerra no Médio Oriente poderá levar a uma maior incidência de atividades cibernéticas, mesmo após o cessar-fogo acordado entre os dois países em abril de 2026. Este cenário, segundo a entidade, deverá impulsionar a necessidade de proteção através de seguros cibernéticos.

Apesar deste aumento na procura, a Morningstar DBRS alerta que a desaceleração do crescimento dos prémios de seguros cibernéticos, observada nos últimos anos, deverá continuar. A menos que ocorra um evento significativo que altere as expectativas do mercado, a tendência de preços mais baixos deverá persistir. A análise destaca que os conflitos modernos estão a transitar para o ciberespaço, onde a guerra cibernética pode ter um impacto duradouro nas infraestruturas governamentais e nas empresas.

Desde o início do conflito no Médio Oriente, a atividade cibernética associada a Estados e grupos de interesse tem aumentado, elevando o risco cibernético global. Um exemplo recente é o ataque à Stryker Corporation, uma empresa de tecnologia da saúde, que ocorreu em março de 2026. Este incidente ilustra como a guerra cibernética pode resultar em perdas significativas para empresas, especialmente aquelas com uma vasta presença operacional.

A interdependência da infraestrutura digital intensifica o potencial de disrupção, amplificando as perdas em caso de ataques. Após anos de crescimento acelerado, o mercado de seguros cibernéticos entrou numa fase de crescimento moderado. A concorrência aumentou, e as seguradoras têm conseguido reter uma maior quota de risco, especialmente em períodos sem grandes sinistros cibernéticos.

A época de renovações de abril de 2026 trouxe uma redução das taxas de seguros cibernéticos, com uma diminuição de cerca de 30% nos Estados Unidos. A rentabilidade das seguradoras tem sido positiva, com um rácio combinado médio estimado em cerca de 70% para 2024. Contudo, a Morningstar DBRS sublinha que, apesar do cessar-fogo, os ataques cibernéticos podem continuar a ocorrer, uma vez que são relativamente fáceis de realizar e difíceis de atribuir.

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Os ciberataques podem mudar de alvo, passando de infraestruturas governamentais para empresas, especialmente em setores críticos como a saúde e os serviços financeiros. O ataque à Stryker é um exemplo claro do potencial de danos que operações cibernéticas podem causar. Além disso, os bancos são frequentemente alvos durante períodos de tensão geopolítica, com ataques motivados por objetivos políticos.

A análise da Morningstar DBRS também destaca o risco de acumulação cibernética, que se tornou uma vulnerabilidade estrutural para as seguradoras. As exposições cibernéticas estão cada vez mais concentradas em serviços digitais partilhados, o que aumenta o risco de perdas correlacionadas em várias empresas. Embora não tenham ocorrido grandes perdas até agora, a incerteza geopolítica pode amplificar esses riscos.

Para mitigar a volatilidade associada a estes riscos, as seguradoras estão a rever as exclusões relacionadas com a guerra nas apólices de seguros cibernéticos. Historicamente, estas exclusões aplicavam-se a guerras declaradas, mas agora abrangem também incidentes cibernéticos relacionados com conflitos internacionais. Esta mudança visa proteger as seguradoras de perdas significativas, ao mesmo tempo que preserva a cobertura para empresas individuais.

As grandes seguradoras estão em melhor posição para absorver potenciais perdas decorrentes de ataques cibernéticos, devido à sua diversificação de riscos. No entanto, a incerteza geopolítica continua a aumentar o risco de operações cibernéticas destrutivas, que podem resultar em perdas generalizadas. A revisão das exclusões relacionadas com a guerra, embora tenha reforçado a capacidade das seguradoras, não elimina totalmente o risco extremo, tornando a redação das apólices e a monitorização de perdas ainda mais cruciais.

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Fonte: Sapo

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