Modelo de IA Amália avança no Brasil, mas ainda é restrito

O modelo de inteligência artificial (IA) Amália, desenvolvido em Portugal, continua a ser um projeto reservado à comunidade académica, mesmo após a sua apresentação no Brasil. Sete meses após a conclusão da “versão base”, o Governo português, que investiu 5,5 milhões de euros no desenvolvimento deste modelo, anunciou que o Amália está “em fase adiantada de desenvolvimento” e apresenta “um desempenho robusto”. A disponibilização pública está prevista para até ao final de junho de 2026.

O consórcio de universidades que está a trabalhar no modelo, sob a supervisão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), está a desenvolver uma “versão multimodal”. Esta nova versão permitirá ao Amália interpretar diferentes formatos de dados, como texto, imagens e vídeo. Apesar de ainda estar restrito aos campus universitários, o modelo fez a sua estreia internacional no Brasil, onde foi apresentado durante o Congresso Propor, dedicado ao processamento computacional em português.

No evento, que decorreu em Salvador, entre 13 e 16 de abril, o modelo de IA Amália foi bem recebido pela comunidade científica. A apresentação destacou a performance positiva do modelo em vários testes de referência, reforçando a sua relevância no contexto da língua portuguesa. A sessão intitulada “AMALIA: Um Grande Modelo de Linguagem de Código Aberto para o Português Europeu” foi um dos destaques da conferência.

Embora o contrato de desenvolvimento do Amália preveja a divulgação pública em várias fases, o Governo confirmou que o modelo não será acessível antes de junho de 2026. O coordenador do projeto, João Magalhães, havia anteriormente indicado que uma versão pública estaria disponível em setembro de 2025, mas essas informações não se confirmaram. Atualmente, o modelo está acessível a investigadores na plataforma IAEdu, gerida pela FCT, desde o final de setembro de 2025.

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O Ministério da Reforma do Estado refere que existem vários casos de uso do modelo em serviços públicos, que serão partilhados aquando da divulgação do modelo. A intenção é que, uma vez disponível, o modelo de IA Amália possa ser utilizado de forma responsável por qualquer pessoa ou entidade interessada em desenvolver soluções próprias.

Além disso, o modelo já possui um site próprio, amaliallm.pt, onde é possível encontrar um vídeo demonstrativo e um comparador com outros modelos de IA, como o GPT-4 da OpenAI e o Gemini 2.5 da Google. O Amália destaca-se em áreas como “variantes de português” e “representatividade cultural”, embora ainda tenha limitações em cálculos matemáticos e na dimensão do contexto.

A análise dos impactos legais do modelo, que inclui a utilização de dados do Arquivo.pt, está a ser realizada por uma equipa de peritos. O Ministério assegura que o desenvolvimento do modelo está em conformidade com as práticas legais exigidas.

Leia também: O futuro da IA em Portugal e a sua importância cultural.

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Fonte: ECO

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