A NATO está a passar por uma transformação significativa, com uma crescente ênfase na responsabilidade europeia em matéria de defesa. Camille Brand, secretário-geral da ASD, uma organização que representa mais de 4 mil empresas do setor de defesa, espaço e aeronáutica, defende que esta mudança cria oportunidades para a indústria de defesa na Europa. Durante uma convenção da ASD em Portugal, Brand destacou a necessidade de os Estados-Membros da NATO optarem por soluções “made in Europe” ao reequipar as suas forças armadas.
A relação entre a Europa e os Estados Unidos tem enfrentado desafios, especialmente em tempos de incerteza política. Brand sublinha que, mesmo que se deseje um regresso a um sistema mais estável, a realidade é que os europeus terão de assumir um papel mais ativo na sua própria defesa. Esta exigência, que vem dos EUA, é agora amplamente reconhecida por todos os envolvidos. A indústria europeia, segundo Brand, deve aproveitar esta oportunidade para satisfazer as exigências do setor de defesa.
A transição para uma NATO mais europeia não implica o fim das relações transatlânticas, mas sim uma dependência maior de soluções europeias. Um exemplo claro é a recente decisão da NATO de optar por uma solução europeia-canadiana para o famoso avião AWACS, que durante décadas foi uma solução americana. Esta mudança não foi feita em detrimento dos EUA, mas porque a opção europeia era mais acessível e vantajosa.
Brand enfatiza que a indústria europeia tem capacidade para responder a estas novas exigências, utilizando slogans conhecidos da política e indústria dos EUA, como “Yes, we can”. Ele acredita que é uma questão de vontade e ação. Uma NATO mais europeia poderá, assim, tornar-se uma aliada forte para os EUA, permitindo que os europeus assumam uma maior responsabilidade pela segurança do continente.
Os desafios enfrentados pelos países europeus, como atrasos na entrega de sistemas americanos e restrições no seu uso, têm gerado frustração. Brand considera que é justo que os europeus exijam um aumento nos gastos em defesa e uma maior aquisição de produtos europeus. Esta mudança não só beneficiaria a economia europeia, mas também fortaleceria a posição da Europa no cenário global de defesa.
A longo prazo, a questão que se coloca é como será repartido o “bolo” da indústria de defesa. Embora muitos países continuem a optar por equipamentos americanos, a diversificação para soluções europeias parece ser uma tendência crescente. A indústria de defesa na Europa tem a oportunidade de crescer e prosperar, à medida que os Estados-Membros da NATO se tornam mais responsáveis pela sua própria segurança.
Leia também: O futuro da indústria de defesa na Europa.
NATO mais europeia NATO mais europeia NATO mais europeia Nota: análise relacionada com NATO mais europeia.
Leia também: Avião Gripen da Suécia pode ser vendido a Portugal
Fonte: ECO





