O Julius Baer, um dos principais grupos bancários privados suíços, acaba de abrir uma nova sucursal em Lisboa, reforçando a sua presença no mercado ibérico. Com uma equipa inicial de 21 colaboradores e uma média de idades superior a 50 anos, o banco tem como objetivo crescer na gestão de património, um setor em que se especializa desde a sua fundação em 1890.
José Maria Cazal-Ribeiro, responsável pelo mercado português, destacou que o banco opera com uma arquitetura aberta, focando exclusivamente em wealth management. O modelo de negócio do Julius Baer em Portugal é conservador, com apenas 20% da gestão a ser discricionária, enquanto os restantes 80% são baseados em advisory, permitindo que a decisão final fique nas mãos dos clientes.
Atualmente, os clientes do Julius Baer em Portugal têm, no mínimo, 2 milhões de euros sob gestão, com uma média de 4 milhões de euros. Este perfil de clientes é um reflexo da estratégia do banco, que visa atender um público mais sofisticado. Cazal-Ribeiro mencionou que cerca de 10% dos clientes não são portugueses, uma percentagem que o banco espera ver crescer nos próximos anos, especialmente com a criação de um “desk Brasil” para atender clientes brasileiros.
A concorrência do Julius Baer em Portugal inclui instituições como o EFG e o Rothschild, que também se dedicam exclusivamente à gestão de património. O banco destaca-se por não ter conflitos de interesse, focando-se em encontrar as melhores soluções para os seus clientes.
Desde a sua abertura em janeiro, o Julius Baer já trabalhava com clientes portugueses a partir de Madrid desde 2019. Apesar de Espanha ter um mercado significativamente maior, Cazal-Ribeiro sublinhou que Portugal tem um peso desproporcionalmente elevado nas operações do banco.
O Julius Baer opera atualmente em cerca de 25 países e 60 localizações, com um modelo de atendimento que se baseia em gestores de relação dedicados, apoiados por equipas multidisciplinares. O banco promove ainda a ligação entre clientes, facilitando interações que vão além da mera gestão de ativos.
Em 2023, o banco enfrentou um desafio na gestão de risco devido à sua exposição a um grupo imobiliário, mas garantiu que a situação foi resolvida sem comprometer os resultados. Cazal-Ribeiro afirmou que, em 135 anos de história, o banco nunca registou prejuízos.
A conjuntura geopolítica atual pode beneficiar o Julius Baer, uma vez que muitos clientes veem o banco como um “cofre” seguro. Portugal, pela sua estabilidade, torna-se um destino atrativo para aqueles que buscam relocalizar o seu património.
O Julius Baer continua a ser uma plataforma de investimento robusta, com uma base de clientes que inclui famílias tradicionais e empresários, além de um número crescente de profissionais da tecnologia. A estratégia do banco é clara: criar valor além da gestão de património.
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Fonte: Sapo





