O mercado de trabalho português, que conta com mais de cinco milhões de trabalhadores, apresenta uma realidade marcada por uma carga horária semanal elevada e salários abaixo da média da União Europeia. Este retrato foi divulgado pela Pordata, coincidentemente no Dia do Trabalhador, e surge num contexto de reformas laborais e possíveis greves.
Em 2025, a taxa de emprego em Portugal alcançou os 79,6%, superando a média da União Europeia, que é de 76,1%. Portugal ocupa a 12.ª posição entre os países da UE. Os países com as taxas mais altas de emprego são Malta, Países Baixos e Chéquia, enquanto Grécia, Roménia e Itália têm as mais baixas. Entre os jovens, a taxa de emprego em Portugal é de 82,8%, superior à média europeia de 76,9%.
Outro dado relevante é que a carga horária média em Portugal é de 39,8 horas por semana, uma das mais elevadas da Europa. Apenas quatro países têm uma carga horária maior. Em contrapartida, Portugal apresenta uma das menores proporções de trabalho a tempo parcial, com apenas 8,1% dos trabalhadores a exercerem funções nesse regime.
A precariedade laboral é uma preocupação crescente. Portugal está entre os cinco países da UE com maior taxa de contratos temporários, com 15,1% dos trabalhadores a ter este tipo de vínculo. A situação é ainda mais crítica entre os jovens, onde quase 40% dos trabalhadores com menos de 30 anos têm contratos temporários. Esta realidade contrasta com a média europeia, onde um em cada três jovens trabalhadores está em situação de trabalho temporário.
Em termos salariais, o salário médio em Portugal é de 2.068,2 euros mensais, muito inferior à média da União Europeia, que é de 3.317 euros. O salário mínimo nacional, fixado em 920 euros, mais do que triplicou desde 1995, mas continua a ser insuficiente quando comparado com países como o Luxemburgo, onde o salário médio é cinco vezes superior.
Além disso, a produtividade em Portugal é uma das mais baixas da UE, com cada trabalhador a contribuir com cerca de 48 mil euros para o PIB. Este valor é significativamente inferior ao de países como Irlanda e Luxemburgo, onde a produtividade é muito superior.
O teletrabalho, que ganhou destaque durante a pandemia, ainda está presente em 21,3% dos postos de trabalho em Portugal, ligeiramente abaixo da média europeia de 23,1%. A formação e qualificação dos trabalhadores são apontadas como fatores cruciais para melhorar a produtividade e, consequentemente, os salários.
Neste contexto, o Dia do Trabalhador é assinalado com um clima de incerteza em relação à legislação laboral, que está a ser alvo de reformas. A CGTP-IN já manifestou a possibilidade de convocar uma greve geral em resposta a estas mudanças.
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Fonte: ECO





