Portugal prepara-se para substituir a sua frota de caças F-16, mas a decisão está a transformar-se num novo campo de tensão entre os Estados Unidos e a União Europeia. Com a crescente instabilidade geopolítica, especialmente devido à agressão russa e à crise no Médio Oriente, a Europa é confrontada com a necessidade de aumentar os seus investimentos em defesa.
Os EUA, que anteriormente garantiam a segurança europeia, agora exigem que o Velho Continente invista mais na sua própria defesa. Neste contexto, Portugal está a considerar a compra de novos caças, com os F-35 da Lockheed Martin a serem uma das opções em cima da mesa. No entanto, a concorrência é forte, com a sueca SAAB a oferecer o Gripen e o consórcio Eurofighter a apresentar o Typhoon.
Desde 2006, mais de 20 países, incluindo o Canadá, Noruega e Reino Unido, já adquiriram o F-35, totalizando mais de 1.300 aeronaves entregues. Por outro lado, o Eurofighter já recebeu 770 encomendas do Typhoon, enquanto a SAAB vendeu quase 400 Gripen desde 1990. A Dassault, fabricante do Rafale, também está a entrar na corrida, com 300 caças entregues até agora e mais 233 encomendas.
A estimativa para a compra de 27 caças F-35 por parte de Portugal é de cerca de 5 mil milhões de euros ao longo de 20 anos, segundo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Cartaxo Alves. A Lockheed Martin, apesar de ser uma empresa privada, realiza as vendas através do Governo dos EUA, o que torna a negociação ainda mais complexa.
A SAAB tem-se destacado ao prometer instalar parte da produção do Gripen em Portugal, enfatizando que o custo do seu caça é significativamente inferior ao de outros modelos. Micael Johansson, presidente da SAAB, sublinhou a importância das parcerias industriais, especialmente com a Embraer, uma empresa brasileira com a qual Portugal já colabora.
Por sua vez, a Eurofighter posiciona-se como o “candidato ideal” para substituir os F-16, defendendo que a autonomia estratégica da Europa é crucial. Ivan Gonzalez Exposito, diretor de vendas do Typhoon, afirmou que a soberania nacional deve ser uma prioridade.
A Dassault, embora menos vocal, também está interessada em entrar no mercado português. O seu presidente, Eric Trappier, expressou o desejo de oferecer o Rafale a Portugal, destacando a qualidade da indústria europeia em comparação com a americana.
À medida que Portugal se aproxima da decisão sobre os novos caças, a pressão para garantir uma defesa eficaz e independente aumenta. A escolha entre os caças F-35 e outras opções terá um impacto significativo na segurança nacional e na posição de Portugal na geopolítica europeia.
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Fonte: Sapo





