O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta sobre a economia portuguesa, prevendo que a inflação em Portugal poderá atingir 4,2% este ano, caso a guerra no Irão se prolongue. Esta previsão foi divulgada numa análise detalhada das finanças públicas e da evolução económica do país, realizada no âmbito da missão pós-programa da troika.
De acordo com o FMI, a economia portuguesa deverá desacelerar, com uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,9% para este ano. Para 2027, a inflação poderá subir ainda mais, alcançando 5,7%. A instituição liderada por Kristalina Georgieva sublinha que a qualidade de vida em Portugal permanece abaixo da média europeia, com uma dívida pública elevada e um aumento significativo nos preços das habitações.
No relatório, o FMI apresenta três cenários: um base, um adverso e um severo. No cenário base, a inflação em Portugal é projetada para ser de 3,1% em 2026 e 2,7% em 2027, com um défice orçamental de 0,1% este ano. No entanto, a análise pós-missão revela que os efeitos negativos da guerra no Médio Oriente podem impactar o crescimento e aumentar a inflação em Portugal.
O FMI destaca que, apesar do aumento das importações devido aos preços elevados das matérias-primas, as receitas do turismo devem sustentar um excedente na balança corrente a médio prazo. Contudo, a instituição também alerta para os riscos associados a um prolongamento do conflito, que poderá resultar numa inflação em Portugal significativamente mais alta.
No cenário severo, a inflação poderá disparar para 4,2% este ano, o que representa um aumento de 1,1 pontos percentuais em relação ao cenário base. O crescimento do PIB poderá ser inferior em 1,4 pontos percentuais ao longo de 2026-2027. Além disso, num cenário adverso, onde a guerra se prolonga, o FMI estima que a inflação em Portugal será 0,8 pontos percentuais superior ao cenário de referência.
Os desafios estruturais, como a qualidade de vida abaixo da média da União Europeia e a rápida subida dos preços da habitação, continuam a ser preocupações centrais. O FMI recomenda que as políticas económicas se concentrem em reforçar a resiliência da economia e promover um crescimento sustentável.
Para o futuro, o FMI sugere que a política orçamental deve priorizar a redução da dívida pública e aumentar o investimento público. A instituição também enfatiza a necessidade de reformas que promovam a inovação e o crescimento das empresas, simplificando a burocracia e melhorando o acesso ao financiamento para as pequenas e médias empresas.
Em suma, a inflação em Portugal e a qualidade de vida continuam a ser temas críticos que exigem atenção e ação por parte das autoridades. O FMI alerta que as incertezas externas e os riscos estruturais podem travar o crescimento e pressionar a inflação. Leia também: “Desafios económicos em Portugal: o que esperar para o futuro?”
Leia também: Decisão sobre caso de Miguel Arruda, ex-deputado do Chega, na sexta
Fonte: ECO





