A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) fez um apelo esta quinta-feira para que a União Europeia desenvolva um sistema “mais simples, mais rápido, mais transparente e mais acessível” para apoiar as pequenas e médias empresas (PME). Ema Paulino, vice-presidente da CIP, destacou que as PME enfrentam barreiras estruturais que dificultam o seu crescimento, como a complexidade administrativa e o acesso a mercados e financiamento transfronteiriços.
Durante a sexta edição do “SME Roadshow”, que teve lugar no Porto, Ema Paulino sublinhou que, apesar das dificuldades, existem exemplos de sucesso de empresas portuguesas que conseguiram expandir-se internacionalmente, como a Granorte e a Jacinto. As PME representam cerca de 25 milhões de empresas na União Europeia, constituindo 99% do tecido empresarial. Em Portugal, essa realidade é ainda mais acentuada, com as PME a corresponderem a 99,9% das empresas e a gerar cerca de 63,6% do valor acrescentado bruto.
A vice-presidente da CIP alertou para a necessidade de reforçar o acesso ao financiamento, uma das principais preocupações das PME. Segundo Ema Paulino, obter crédito é frequentemente mais difícil para as pequenas empresas do que para as grandes. A responsável defendeu que é crucial diversificar as fontes de capital, nomeadamente através de fundos europeus e capital de risco, para apoiar projetos inovadores.
Outro desafio destacado por Ema Paulino é a complexidade regulatória. Para que a União Europeia cumpra a prometida redução da carga regulamentar em 25% para todas as empresas e 35% para as PME, é necessário um esforço adicional. A mensagem é clara: “Pensem primeiro nas pequenas empresas”.
Além disso, os custos elevados de energia e as dificuldades em expandir para mercados internacionais continuam a limitar a competitividade das PME. Num cenário de incerteza geopolítica e transformação tecnológica, Ema Paulino enfatizou que os desafios enfrentados pelas PME têm um impacto direto na sua capacidade de crescimento. “As PME são a espinha dorsal da economia europeia. Criam emprego e impulsionam a inovação”, concluiu.
No que diz respeito ao financiamento, o Banco Português de Fomento tem concentrado a sua atividade nas PME, que representam 99% das empresas apoiadas e 97% do volume de financiamento. No ano passado, o banco mobilizou 5,7 mil milhões de euros, correspondendo a 2,2% do PIB nacional e apoiando mais de 16 mil empresas. O presidente da instituição, Gonçalo Regalado, destacou que o Porto é o distrito que mais financiamento recebeu, seguido de Lisboa e Braga.
Gonçalo Regalado comprometeu-se a transformar o Banco de Fomento num verdadeiro motor de apoio às PME, prevendo que o contributo da instituição para a economia nacional possa ultrapassar os 12,5% do PIB até 2028, com uma mobilização de capital que poderá atingir os 30 mil milhões de euros.
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Fonte: ECO





