BCE reduz juros e liquidez da banca portuguesa cai para 25 mil milhões

Os bancos portugueses estão a optar por manter a liquidez em vez de conceder crédito, num contexto em que o Banco Central Europeu (BCE) está a retirar a almofada extraordinária que sustentou o sistema financeiro nos últimos anos. De acordo com o Relatório da Implementação da Política Monetária 2025, publicado recentemente pelo Banco de Portugal, a liquidez da banca portuguesa caiu para 25 mil milhões de euros, uma diminuição significativa em relação aos 34 mil milhões de euros registados no início do ano.

Apesar da descida das taxas de juro, que levou a taxa de facilidade permanente de depósito para 2% em junho, os bancos nacionais mantiveram uma média anual de cerca de 28 mil milhões de euros na facilidade de depósito do BCE. Este valor representa uma redução de 32% face a 2024, mas ainda assim revela uma forte preferência pela colocação de liquidez junto do banco central em vez da concessão de novo crédito.

O relatório destaca que o BCE prosseguiu com a descida das taxas de juro, refletindo uma política monetária menos restritiva devido à desaceleração da inflação na zona euro. Em Portugal, essa normalização monetária resultou numa diminuição do excesso de liquidez, embora este continue elevado. O Banco de Portugal sublinha que a facilidade de depósito permanece como o principal instrumento utilizado pelas instituições de crédito.

Além disso, a utilização de operações de cedência de liquidez pelos bancos portugueses foi residual, totalizando apenas cerca de 18 milhões de euros no segundo semestre de 2025. O Banco de Portugal também observa que a mobilização de ativos de garantia continua a ser muito superior ao crédito efetivamente utilizado, o que indica que os bancos têm capacidade de acesso a liquidez, mas preferem não a utilizar de forma intensiva.

Leia também  Eventos económicos essenciais para quarta-feira em Lisboa

O relatório revela que, no final de 2025, existiam 33 contrapartes elegíveis para operações de política monetária em Portugal, num total de 135 instituições de crédito. Os ativos de garantia utilizados ascenderam a 59 mil milhões de euros, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, com as obrigações cobertas e os títulos emitidos pela administração central a serem os instrumentos mais utilizados.

O balanço do Banco de Portugal também aumentou 11% em 2025, atingindo 211 mil milhões de euros, principalmente devido à valorização das reservas de ouro e ao crescimento da carteira de ativos não relacionados diretamente com a política monetária. Por outro lado, a carteira de títulos de política monetária no ativo do Banco de Portugal diminuiu 10%, para 68 mil milhões de euros.

Nos próximos dois anos, a grande variável será a redução do balanço do Eurosistema, com vencimentos de títulos de política monetária no valor de 942 mil milhões de euros. Esta situação deverá retirar liquidez ao sistema e obrigar os bancos a recorrer mais ao mercado para se financiarem, tornando o mercado monetário mais relevante para a banca portuguesa.

Em suma, a liquidez da banca portuguesa está a diminuir, enquanto os bancos se preparam para um ambiente mais competitivo. A tendência europeia aponta para uma redistribuição mais intensa da liquidez entre países e instituições, o que poderá levar a uma maior utilização do mercado como fonte de liquidez. Leia também: O impacto da política monetária na economia portuguesa.

liquidez da banca portuguesa liquidez da banca portuguesa liquidez da banca portuguesa Nota: análise relacionada com liquidez da banca portuguesa.

Leia também: VFIAX supera VOO e SPY para investidores de longo prazo

Leia também  Investir no Vanguard S&P 500 ETF: uma escolha inteligente

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top