A literacia financeira tem sido um tema recorrente nas discussões com líderes de vários setores em Portugal. A constatação é clara: a falta de literacia financeira é um entrave significativo ao desenvolvimento das organizações e à eficiência dos mercados. Estudos recentes revelam que os portugueses estão abaixo da média da OCDE e da União Europeia em áreas como a literacia de adultos, a numeracia e a resolução de problemas.
Este panorama ajuda a explicar algumas características do mercado português, como a fraca gestão da poupança. Muitas pessoas mantêm o seu dinheiro em depósitos, que, devido à inflação, perdem valor ao longo do tempo. Além disso, a cultura de investimento é reduzida, com poucos a participar nos mercados de capitais, e a procura por produtos de poupança, excluindo a habitação, é limitada. Este cenário reflete-se também na saúde, onde se verifica uma utilização excessiva dos serviços de urgência e baixos indicadores de prevenção. A participação política e a confiança nas instituições também são áreas que sofrem com a falta de literacia financeira.
Por outro lado, há sinais encorajadores. Os jovens, que têm acesso a uma formação mais robusta, apresentam resultados mais positivos. No entanto, os adultos mais velhos e com menos escolaridade tendem a arrastar os resultados para baixo. Em termos de competências digitais, Portugal destaca-se, uma vez que muitos cidadãos são adeptos precoces de tecnologias e existem soluções públicas que utilizam a tecnologia de forma eficaz.
Para que o país possa avançar, é fundamental que a renovação de competências se torne uma prioridade. Contudo, a realidade é que aqueles que estão dispostos a aprender são, muitas vezes, os que já possuem algum nível de literacia financeira. Portanto, a primeira medida que o Estado, as empresas e as organizações devem adotar para promover a literacia financeira é incentivar a aprendizagem contínua. Esta abordagem prática é essencial para que se vejam resultados tangíveis e para que o panorama financeiro em Portugal mude para melhor.
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Fonte: Sapo





