A ex-diretora do WhatsApp no Brasil, Daniela da Silva, fundou a ONG CTRL+Z com o objetivo de combater as big techs e alterar a relação de medo que muitos utilizadores sentem em relação a estas gigantes da tecnologia. Em entrevista à Lusa, Daniela destacou a importância de responsabilizar empresas como Meta, Google e X pelos danos causados aos utilizadores.
A CTRL+Z pretende receber denúncias e investigar casos, movendo ações judiciais quando necessário. “A nossa missão é romper com o sentimento de impotência que as pessoas têm em relação às big techs”, afirmou Daniela da Silva. A diretora-executiva defende que as empresas devem temer os cidadãos e não o contrário, promovendo uma maior pressão pública e jurídica sobre o setor tecnológico.
O nome da ONG faz referência ao atalho de teclado que permite desfazer ações, simbolizando a intenção da organização de enfrentar o modelo de operação das grandes empresas tecnológicas. Entre os projetos lançados, destaca-se o “Vaza Big Tech”, que permite que trabalhadores do setor partilhem informações de forma anónima, e o “Arquivo de Danos Digitais”, que recolhe relatos de utilizadores afetados por plataformas digitais.
A CTRL+Z colabora com escritórios de advocacia no Brasil para analisar denúncias e avaliar possíveis ações judiciais, oferecendo apoio jurídico gratuito. Utilizadores com contas suspensas, perfis falsos ou conteúdos nocivos não removidos poderão recorrer à ONG em busca de orientação.
Daniela da Silva deixou a Meta em janeiro de 2025, após um ano de trabalho, devido a discordâncias com mudanças na condução da empresa. Essas alterações incluíam o fim de programas de verificação de notícias e mudanças na moderação de conteúdos. “Senti que, para ver plataformas digitais melhores, teria de atuar fora da Meta”, explicou.
Após um ano de preparação, a CTRL+Z foi oficialmente fundada em abril deste ano. Daniela acredita que a sociedade civil pode servir como um “anteparo” ao poder das big techs, que considera as empresas mais poderosas da história do capitalismo contemporâneo. Ela alertou ainda para a aproximação das plataformas digitais a movimentos de extrema-direita, classificando essa tendência como “tecnofascismo”.
O Brasil, segundo Daniela, tornou-se um centro importante no debate sobre governança digital, devido ao seu histórico de confrontos com grandes empresas tecnológicas. “Precisamos de anteparos para lidar com o poderio das big techs”, frisou.
Daniela da Silva, de 40 anos, também se preocupa com a educação digital das crianças e adolescentes, especialmente no que diz respeito ao tempo de ecrã e ao tipo de conteúdos que consomem. “Devemos fazer um pacto como sociedade para que as tecnologias sejam melhores para as nossas crianças”, concluiu, mantendo uma atitude otimista.
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Fonte: Sapo





