O banco de investimento Jefferies reforçou a sua recomendação de compra para o Banco Comercial Português (BCP), elevando o preço-alvo das suas ações de 1,10 euros para 1,18 euros. Esta atualização surge após a Goldman Sachs ter também aumentado o seu preço-alvo para 1,08 euros, mantendo a recomendação de compra. Com a cotação atual a rondar os 0,93 euros, o BCP apresenta um potencial de valorização de cerca de 27%.
Num relatório dedicado ao setor bancário português, os analistas do Jefferies destacam que o BCP está numa posição privilegiada para superar os seus concorrentes europeus, beneficiando da sua forte presença em Portugal e na Polónia, dois mercados com elevado potencial de crescimento na União Europeia. O BCP deverá apresentar um crescimento médio anual dos lucros por ação (EPS CAGR) de 19% até 2028, com uma rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (RoTE) normalizada de 22%.
O crescimento da carteira de crédito do BCP tem sido notável, com um aumento anual de 7%, impulsionado principalmente pelo mercado português, onde os empréstimos cresceram 10% em termos homólogos. O segmento empresarial continua a ser um motor de crescimento, com o crédito corporativo a subir 8% em Portugal e 23% na Polónia. Os analistas sublinham que o BCP conseguiu aliar a expansão do balanço a níveis elevados de rentabilidade, alcançando um RoTE de 16,6% no primeiro trimestre de 2026.
Apesar de alguma pressão nos rácios de capital no início do ano, o Jefferies acredita que a situação irá melhorar ao longo de 2026. Entre os fatores que contribuíram para a deterioração dos rácios de capital estão o forte crescimento dos ativos ponderados pelo risco, impulsionado pela dinâmica do crédito, e os impactos negativos da avaliação ao valor de mercado na carteira da ALCO devido ao aumento das taxas de juro.
Os analistas do Jefferies esperam que muitos destes fatores se dissipem ao longo do ano, prevendo uma nova titularização de 1,5 mil milhões de euros na Polónia. O banco de investimento estima ainda que o BCP poderá manter um payout recorrente de 90% entre 2025 e 2028, encerrando cada exercício com um rácio CET1 acima de 17,5% antes das distribuições.
O Jefferies também considera que o BCP já está a superar os objetivos do seu plano estratégico 2025-2028, cuja atualização será apresentada com os resultados do terceiro trimestre. Os analistas projetam uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 17,5% em 2028, muito acima da orientação oficial do banco.
No entanto, o relatório alerta que uma possível saída da Fosun International da estrutura acionista do BCP poderá pressionar as ações no curto prazo. Apesar disso, o Jefferies vê este cenário como potencialmente positivo a médio prazo, caso permita a entrada de um acionista mais estratégico.
Mesmo após a recente valorização das ações, o Jefferies considera que o BCP ainda está descontado em relação aos seus pares europeus. As ações do BCP, que subiram ligeiramente, continuam a ser uma opção atrativa para investidores que buscam crescimento e rentabilidade.
Leia também: O que esperar do BCP no próximo trimestre?
Leia também: Wallace Finance Lança Plataforma de Investimento em Android
Fonte: Sapo





