Drones: Campeão da Indústria de Defesa Portuguesa

Os drones estão a emergir como um verdadeiro “campeão nacional” na indústria de defesa em Portugal, representando cerca de 20% das exportações do setor. Esta afirmação foi feita durante o primeiro painel da Conferência Anual do eRadar, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. O painel, intitulado “Europa à Defesa: O que Ganha a Indústria Portuguesa?”, contou com a presença de vários especialistas, incluindo Rui Lobo, diretor da Tekever, e José Neves, presidente do AED Cluster.

A Tekever, uma das principais empresas portuguesas no setor de drones, teve um papel destacado após a invasão russa da Ucrânia, quando recebeu um pedido das forças ucranianas para modificar os motores dos seus drones. Rui Lobo relatou que, em apenas três semanas, a empresa conseguiu realizar as alterações necessárias, demonstrando a agilidade e a capacidade de resposta da indústria. “É uma questão de velocidade”, afirmou Lobo, sublinhando a importância da rapidez na inovação tecnológica.

O crescimento do setor de drones é impulsionado pela crescente necessidade de reforço das capacidades de defesa na Europa. Com a guerra na Ucrânia e a tensão política global, a indústria de defesa portuguesa está a ser chamada a adaptar-se e a inovar. Rui Lobo acredita que Portugal tem potencial para se afirmar como um cluster de excelência nesta área, especialmente no desenvolvimento de software e sistemas autónomos.

José Neves, por sua vez, destacou que a indústria de defesa nacional evoluiu significativamente nos últimos anos. “Temos empresas a exportar drones para a Ucrânia e a desenvolver satélites”, afirmou, enfatizando a capacidade do país em responder às novas exigências do mercado. No entanto, Neves alertou que é crucial que Portugal aposte no desenvolvimento interno, em vez de depender de aquisições externas.

Leia também  Ameaças de Drones e a Insegurança na Europa

A União Europeia está a investir em programas como o SAFE, que visam fortalecer as capacidades de defesa dos Estados-membros. Portugal já garantiu 5,8 mil milhões de euros para a compra de equipamentos militares, mas a questão que se coloca é se o país está a investir nas tecnologias certas para o futuro. “Não podemos esquecer a nova indústria de defesa”, advertiu Rui Lobo, referindo-se à necessidade de integrar novas tecnologias nos sistemas tradicionais.

A discussão sobre a soberania digital também foi levantada, com Adolfo Mesquita Nunes, partner da Pérez-Llorca, a alertar para a importância de garantir que os investimentos na indústria de defesa gerem valor para a economia portuguesa. “É fundamental que os contratos de investimento sejam benéficos para a indústria nacional”, afirmou.

O futuro dos drones na indústria de defesa portuguesa parece promissor, mas é essencial que o país mantenha a dinâmica de crescimento e inovação. “Temos o talento e a capacidade, mas precisamos de acompanhar o ritmo das mudanças na Europa”, concluiu Neves.

Leia também: O impacto da tecnologia na indústria de defesa.

Leia também: Lisboa é o maior círculo eleitoral brasileiro no exterior

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top