Ceticismo dos maiores de 60 sobre IA revela desafios a superar

Um novo estudo da consultora EY revela que os maiores de 60 anos ainda mantêm um elevado ceticismo em relação à inteligência artificial (IA). Embora esta faixa etária comece a interagir com tecnologias como chatbots, a confiança nas respostas geradas por estas ferramentas é limitada. A pesquisa destaca a importância de considerar a chamada ‘economia prateada’ nas políticas públicas e iniciativas tecnológicas.

De acordo com o relatório, apenas 24% das pessoas entre os 60 e 85 anos demonstram familiaridade com a IA, com variações significativas consoante a região. Na Europa, Médio Oriente e África, a aceitação é maior, enquanto na América do Norte, onde se concentram algumas das maiores empresas de IA, a literacia digital entre os seniores é inferior.

O ceticismo é palpável: cerca de 80% dos inquiridos reconhecem que os resultados da IA nem sempre são precisos, o que reflete uma atitude cautelosa em relação ao uso desta tecnologia em áreas como política, finanças, educação e condução autónoma. Apesar de apenas dois em cada cinco seniores afirmarem nunca ter utilizado IA, cerca de 20% utilizam-na com frequência.

Sérgio Ferreira, partner da EY, sublinha que a adoção da IA em Portugal é desigual, variando conforme a idade, escolaridade e contexto profissional. Em 2025, estima-se que 38,7% da população entre os 16 e 74 anos utilize ferramentas de IA, mas a taxa é muito superior entre os jovens. Ferreira alerta que, sem uma estratégia de literacia digital direcionada aos mais velhos, a IA pode acentuar desigualdades existentes.

A inclusão dos seniores na era da IA é vital, especialmente num país envelhecido como Portugal. A tecnologia tem o potencial de melhorar o acesso a serviços de saúde, públicos e financeiros, mas isso só será possível se for desenvolvida com foco na confiança e na simplicidade.

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Apesar de se mostrarem otimistas quanto ao potencial da IA, muitos seniores hesitam em utilizá-la devido à falta de confiança, literacia e perceção de risco. Ferreira explica que a adoção aumenta quando a tecnologia é apresentada de forma simples e com apoio humano.

A EY recomenda que governos e organizações desenvolvam programas de literacia digital adaptados à idade, em ambientes considerados seguros, como bibliotecas e universidades seniores. Para as empresas, a prioridade deve ser a criação de produtos e serviços que sejam simples e acessíveis.

Leia também: A importância da inclusão digital na economia prateada.

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Fonte: ECO

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