Nos últimos anos, a Europa tem enfrentado uma série de desafios de segurança que tornaram o investimento em defesa uma prioridade. A constante ameaça russa, a relação complexa com os Estados Unidos e a instabilidade no Irão são apenas alguns dos fatores que impulsionam a necessidade de reforçar a soberania na defesa. Neste contexto, a mensagem é clara: é essencial aumentar o investimento em defesa.
Portugal, por exemplo, garantiu uma parte significativa do programa de empréstimo SAFE, que totaliza 150 mil milhões de euros, com uma contribuição de 5,8 mil milhões. Este financiamento visa não apenas a independência em termos de defesa, mas também a utilização da indústria de defesa como um motor de crescimento económico. Contudo, a justificação para tais investimentos torna-se complexa, especialmente quando existem outras necessidades sociais urgentes, como a habitação.
O tema do investimento em defesa está em destaque e promete continuar a ser uma prioridade nos próximos anos. A Comissão Europeia já anunciou a intenção de propor cerca de 131 mil milhões de euros para defesa e espaço no próximo quadro plurianual, um aumento significativo em relação ao orçamento atual. Nuno Pinheiro Torres, secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa Nacional, sublinhou que os programas de mobilidade militar terão um aumento exponencial, com verbas a ultrapassarem os 17 mil milhões de euros.
Além disso, o programa Horizonte Europa deverá ser reforçado com uma dotação de 175 mil milhões de euros. Ao longo dos próximos sete anos, a Comissão prevê financiar iniciativas que ligam a defesa a um valor equivalente ao PIB de Portugal. Esta visibilidade no setor é uma oportunidade para as empresas, que podem agora confiar que o investimento público em defesa irá crescer nos próximos anos.
Apesar do atual peso residual da indústria de defesa portuguesa nas exportações, que representa menos de 1% do total, as vendas para o exterior têm registado um crescimento notável. O aumento das vendas de drones é um exemplo claro, com estas representando já 21% do total em 2025, em comparação com 18% em 2024, segundo um estudo do Banco de Portugal.
No entanto, o empresário Francisco Oom Peres alertou para a necessidade de preparar o setor para o futuro. A questão que se coloca é se a indústria conseguirá manter o ritmo de crescimento quando os subsídios e financiamentos começarem a escassear. Para garantir a sustentabilidade a longo prazo, é crucial envolver não apenas as empresas do setor de defesa, mas também outras áreas da sociedade que, historicamente, não têm estado presentes neste ecossistema.
A reflexão é clara: o sucesso futuro do investimento em defesa depende de uma visão a longo prazo, que transcenda a mera capacidade de aproveitar os fundos disponíveis no curto prazo. Para que o investimento em defesa se torne uma tendência duradoura, é necessário pensar em como integrar diferentes setores e preparar o terreno para os desafios que virão.
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Fonte: ECO





