Desafios da Transição Energética para PME e Indústria em Portugal

As pequenas e médias empresas (PME) e os sectores dos transportes e da indústria enfrentam desafios significativos na transição energética. Manuel Casquiço, diretor de Indústria e Transição Energética da ADENE, destacou que a descarbonização é um processo complexo, especialmente para os transportes e a indústria. Esta questão foi debatida numa conferência organizada pelo Jornal Económico, em parceria com a Pérez-Llorca e com o apoio das empresas PRIO e Iberdrola.

A fatura energética representa uma parte substancial dos custos operacionais das indústrias, podendo atingir entre 30% a 40% nas indústrias intensivas. Casquiço explicou que a eficiência energética é crucial para a competitividade das empresas. Ao reduzir os custos de energia, as empresas podem melhorar as suas margens de lucro, tornando a transição energética uma oportunidade em vez de um fardo.

A legislação em vigor obriga as empresas a implementarem medidas que melhorem a eficiência energética. Nos últimos dez anos, a intensidade energética em Portugal diminuiu cerca de 15%, o que indica que as indústrias estão a tornar-se mais competitivas em termos de consumo de energia em relação ao valor acrescentado bruto. No entanto, a adaptação a estas novas exigências pode ser dispendiosa e desafiadora.

A partir de 2027, as empresas enfrentarão um novo desafio com a entrada em vigor da Diretiva da Eficiência Energética, que será transposta para a legislação portuguesa. Esta diretiva, aprovada pelo Parlamento Europeu, visa aumentar a eficiência energética e reforçar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Atualmente, as empresas que gastam mais de 250 mil euros anualmente em energia já têm de cumprir várias obrigações, mas a nova diretiva alargará estas exigências a empresas com faturas a partir de 125 mil euros.

Filipe Gil questiona se as PME estão preparadas para estas mudanças. Muitas delas, segundo ele, carecem de formação e capacitação na área da energia, o que pode dificultar a adaptação. Além disso, a digitalização dos processos de fabrico e a implementação de sistemas de monitorização exigem uma literacia energética que muitas pequenas indústrias ainda não possuem.

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Casquiço sublinha que a literacia energética não deve ser vista apenas no contexto residencial, mas também é fundamental para as empresas. A regulação excessiva é uma preocupação levantada por alguns, mas Casquiço defende que a legislação é necessária para garantir um progresso sustentável. Contudo, a complexidade da legislação e a existência de normas paralelas em diferentes sectores podem tornar a adaptação ainda mais difícil.

A transição energética é, portanto, um desafio que exige não apenas investimento, mas também uma mudança de mentalidade nas PME e na indústria. A formação e a literacia energética serão cruciais para que estas empresas possam prosperar num futuro cada vez mais sustentável.

Leia também: O impacto da digitalização nas PME em Portugal.

transição energética Nota: análise relacionada com transição energética.

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Fonte: Sapo

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