Tarifas de incêndio em seguros: a necessidade de mudança

Com a chegada do verão, o setor segurador em Portugal enfrenta mais uma vez o desafio dos incêndios. O aumento do risco de incêndio traz consigo uma incerteza que, embora previsível, continua a ser tratada de forma inadequada pelos modelos de cobertura. Apesar de sabermos que o risco não é aleatório e que a sua distribuição é desigual, os seguros continuam a basear-se em pressupostos que não refletem a realidade.

Durante anos, o setor segurador utilizou “atalhos” na avaliação de riscos. Moradas e códigos postais eram considerados suficientes para determinar a exposição ao fogo. Esta simplificação, que se tornou comum em Portugal, ignora a complexidade do risco real. A geolocalização, por exemplo, é uma variável crucial que deve ser considerada. A proximidade de uma propriedade a áreas florestais, a topografia e a acessibilidade para os meios de combate ao fogo são fatores que influenciam diretamente a severidade dos incêndios.

A falha em abordar o risco de forma detalhada é particularmente evidente nas propriedades rurais e florestais. O sistema atual de tarifação trata hectares como se fossem equivalentes, desconsiderando as diferenças significativas entre terrenos bem cuidados e aqueles abandonados. Esta abordagem não promove a mutualização de riscos, mas sim incentiva a seleção adversa e o risco moral.

Ao manter uma tarifação indiferenciada, o setor segurador perde a oportunidade de desempenhar um papel fundamental na gestão do risco. A cobertura de incêndio não deve ser vista apenas como um mecanismo de compensação após o sinistro, mas como uma ferramenta que pode influenciar comportamentos e decisões. Uma tarifação que considere a geolocalização pode não só melhorar a sinistralidade, mas também alinhar incentivos para a prevenção.

A realidade em Portugal é que o risco de incêndio está cada vez mais concentrado e correlacionado. A diversificação, que tradicionalmente ajuda a mitigar riscos, é limitada neste contexto. Assim, a utilização de modelos de tarifação que não considerem a especificidade do risco pode comprometer a estabilidade das carteiras de seguros.

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Felizmente, a tecnologia já está disponível para uma abordagem mais eficaz. Existem dados sobre o uso do solo e a localização dos edifícios que podem ser utilizados para uma análise mais precisa do risco. No entanto, o verdadeiro desafio é cultural. É necessário aceitar que as tarifas de incêndio devem refletir o risco real, mesmo que isso implique um aumento nos prémios.

À medida que o capital se torna mais sensível ao risco climático, a geolocalização deixará de ser um fator competitivo e passará a ser uma exigência básica. Ignorar esta realidade pode resultar em carteiras de seguros vulneráveis e mal preparadas para enfrentar choques catastróficos.

Se o setor segurador não estiver disposto a utilizar as tarifas de incêndio como uma ferramenta de prevenção ativa, terá de aceitar que está apenas a financiar a próxima época de incêndios, em vez de gerir o risco de forma eficaz.

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Fonte: ECO

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