O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, fez declarações controversas sobre o Banco Master, afirmando que este não representa um risco significativo para o sistema financeiro do país. Durante uma audiência na Comissão de Assuntos Económicos do Senado, Galípolo comparou o banco a uma equipa da terceira divisão do futebol brasileiro, sublinhando que a sua dimensão é tão reduzida que não afeta o panorama financeiro mais amplo.
Galípolo reiterou que a liquidação do Banco Master, realizada em novembro de 2025, foi motivada por indícios de irregularidades. “Concordo que isso está consternando as pessoas, mas o que foi feito com o dinheiro? Um banco S3, espero que os outros bancos S3 não se ofendam – da terceira divisão do futebol que é o sistema financeiro brasileiro”, afirmou. Segundo o presidente do Banco Central, o Banco Master representa menos de 0,5% do património total do sistema financeiro, o que, segundo ele, minimiza a preocupação com um possível risco sistémico.
O foco das preocupações, segundo Galípolo, deveria estar nas operações financeiras realizadas pelo Banco Master. Recentemente, o portal The Intercept Brasil revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao banco, financiou o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, surgiram áudios que indicam que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro o pagamento de parcelas, totalizando 64 milhões de reais (cerca de 10,9 milhões de euros).
As operações da Polícia Federal do Brasil têm revelado que Vorcaro também custeava despesas luxuosas de um senador e de um ex-presidente de um banco estatal, em troca de apoio político. A investigação abrange ainda servidores e gestores de fundos de previdência, suspeitos de fraudes relacionadas com recursos de aposentados aplicados no Banco Master.
Atualmente, Daniel Vorcaro encontra-se preso em Brasília, acusado de fraudes financeiras e corrupção. O pai e um primo do ex-banqueiro foram detidos por serem considerados operadores de um esquema criminoso coordenado por Vorcaro, que inclui uma milícia digital. Além disso, dois diretores do Banco Central foram afastados por suspeitas de corrupção relacionadas ao Banco Master.
Na audiência, Galípolo destacou que o Banco Central agiu rapidamente ao vetar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), que também está sob investigação devido a um rombo financeiro. O presidente do BC apelou ainda aos senadores para um reforço estrutural da autoridade monetária, que enfrenta dificuldades financeiras e falta de recursos para investir em tecnologia, além de um déficit de mil servidores.
“O que vai começar a acontecer é que o Banco Central, ciente de que o cobertor é curto, terá que escolher o que cobrir e o que não cobrir”, concluiu Galípolo, enfatizando a necessidade de uma gestão de risco mais rigorosa.
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Fonte: Sapo





