A febre dos cromos do Mundial 2026 está a contagiar Portugal, com crianças e adultos a correrem atrás das cadernetas da Panini, que se tornaram um verdadeiro tesouro. O jogo do “bafão”, onde se tentam virar os cromos, é apenas uma das manifestações deste fenómeno que une várias gerações. A escassez dos cromos tem feito com que encontrá-los seja uma tarefa quase impossível, levando muitos a recorrerem a trocas em escolas, centros comerciais e até locais de trabalho.
Na Tabacaria Naresh, localizada em São Domingos de Benfica, a procura tem sido “uma loucura”, segundo Inês Vaz, a proprietária. “Vêm pessoas de todas as idades comprar. Desde os mais velhos até aos mais novos”, explica. A loja, que recebeu 1700 cromos num dia, viu-os esgotar rapidamente, com Inês a admitir que não sabe quando receberá mais. “Nunca vi nada assim”, afirma, destacando que a procura é tão intensa que já teve clientes de fora da ilha da Madeira a comprar cromos em Lisboa.
No Centro Comercial Fonte Nova, Yuren confirma a mesma tendência. “Na semana passada, os cromos chegaram às 09h00 e às 18h00 já não tínhamos nada. Chegou, acabou”, revela. A caderneta do Mundial é o item mais procurado, e muitos adultos têm optado por comprar em volume para garantir os cromos desejados. A procura é tão intensa que até avós têm procurado os cromos para os netos, muitas vezes sem saber o nome exato, mas reconhecendo que se trata do Mundial.
O fenómeno não é apenas uma questão de nostalgia. A edição deste Mundial, que inclui 48 seleções, tem atraído um interesse sem precedentes, e a escassez dos cromos tem alimentado um mercado secundário onde os preços disparam. Cromos do Cristiano Ronaldo, por exemplo, podem ser vendidos por valores exorbitantes em plataformas online. O diretor-geral da Panini Espanha, Lluís Torrent, revelou que a empresa está a trabalhar 24 horas por dia para repor os cromos no mercado, mas a procura continua a superar a oferta.
Os números também são impressionantes. Para completar a caderneta, que exige 980 cromos, um colecionador pode gastar cerca de 1.569 euros, segundo estimativas. Este elevado custo tem levado muitos a questionar a viabilidade da coleção, mas a emoção de completar o álbum e a possibilidade de ter um cromo raro, especialmente numa edição que pode ser a última de grandes estrelas como Ronaldo e Messi, tornam a experiência ainda mais valiosa.
Este fenómeno intergeracional é também impulsionado pelas redes sociais, onde a partilha de experiências de abertura de saquetas de cromos se tornou viral. Miguel Guerra, colecionador e responsável pela Nossa Sports, sublinha que a caderneta é uma forma de as pessoas se conectarem com a narrativa do futebol e os seus ídolos. “O ritual nunca morreu, e as redes sociais apenas tornaram-no visível a uma escala diferente”, afirma.
Em suma, a febre dos cromos do Mundial 2026 não é apenas uma moda passageira, mas sim um fenómeno cultural que une gerações e reaviva memórias. A procura intensa e a escassez dos cromos fazem desta coleção um verdadeiro pedaço de história. Leia também: O impacto do colecionismo no mercado desportivo.
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Fonte: ECO





