Nos últimos tempos, têm surgido notícias sobre a possibilidade de acordos que poderiam, pelo menos temporariamente, interromper os conflitos na Ucrânia e no Golfo Pérsico. Apesar dos esforços de várias partes para alcançar uma resolução rápida, a confiança na eficácia das soluções propostas é limitada.
Um dos principais fatores que pode estar a impulsionar a suspensão das hostilidades é o cansaço dos beligerantes. Tanto na Ucrânia como no Golfo Pérsico, os custos financeiros, humanos e materiais das operações militares têm sido elevados. Além disso, a pressão externa de países que, embora não envolvidos diretamente, sentem os impactos económicos das guerras, também desempenha um papel relevante.
No entanto, é importante notar que, até ao momento, não houve uma vitória clara em nenhum dos conflitos. Na Ucrânia, a Rússia não conseguiu alcançar os seus objetivos iniciais, que incluíam a anexação total do Donbass e a alteração do governo ucraniano. Apesar da ocupação parcial do Donbass, a Rússia enfrenta uma fragilização económica devido às sanções ocidentais e à destruição das suas infraestruturas energéticas. Este cenário levou a Ucrânia a fortalecer a sua capacidade militar, o que tem dificultado a ofensiva russa.
Por outro lado, no Golfo Pérsico, a situação é igualmente complexa. A capacidade económica e militar do Irão não parece ter sido tão severamente afetada como se previa, e a tão desejada mudança de regime não se concretizou. Os bombardeamentos na região resultaram no encerramento do estreito de Ormuz e no reforço do regime iraniano, demonstrando que uma vitória real exigiria uma ocupação militar, com custos políticos e sociais insustentáveis.
Sem uma vitória clara, as causas subjacentes destes conflitos, que são as ambições estratégicas que levaram ao início das hostilidades, permanecem. A falta de uma conclusão definitiva poderá agravar a frustração e levar a um novo ciclo de violência. Na minha perspectiva, uma cessação das hostilidades, neste contexto, não será uma solução duradoura, mas sim um interlúdio instável, aguardando que qualquer perturbação reative o conflito.
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Fonte: Sapo





