Os sindicatos dos trabalhadores da Samsung Electronics chegaram a um acordo salarial que impediu uma greve sem precedentes na Coreia do Sul. A votação eletrónica, concluída hoje, revelou que 73,7% dos membros aprovaram o acordo, que inclui bónus anuais significativos associados aos lucros provenientes da inteligência artificial (IA).
Este entendimento, alcançado na semana passada, foi essencial para evitar uma greve geral, com o compromisso de oferecer bónus individuais que podem chegar a 343 mil euros para 78 mil funcionários da divisão de semicondutores. A votação, que terminou às 10:00 (02:00 em Lisboa), teve uma participação elevada, com 92,4% dos sindicatos a votarem até à tarde de terça-feira.
Os trabalhadores exigiam a remoção do limite máximo para o bónus de desempenho, atualmente fixado em 50% do salário anual, propondo um novo sistema que destinasse 15% do lucro operacional a incentivos. O acordo inclui um bónus especial para a divisão Device Solutions, responsável pela produção de semicondutores, que será equivalente a 10,5% do desempenho da empresa, sem limite máximo.
Os funcionários desta divisão poderão receber entre 210 milhões e 600 milhões de won, o que corresponde a valores entre 120 mil e 343 mil euros, de acordo com a agência de notícias Yonhap. No entanto, as tensões continuam com outro sindicato, que representa trabalhadores da divisão de telemóveis e eletrodomésticos, e que apresentou uma providência cautelar para suspender a votação, alegando não ter sido incluído no processo.
Em 14 de maio, o Governo sul-coreano já havia solicitado uma resolução rápida do conflito laboral na Samsung, alertando que uma greve poderia ter consequências graves para a economia do país. O ministro das Finanças, Koo Yun-cheol, enfatizou que uma paralisação poderia representar um risco significativo para o crescimento económico, as exportações e o mercado financeiro.
O líder sindical Choi Seung-ho advertiu que, se a produção fosse interrompida durante 18 dias, o impacto financeiro para a empresa poderia ascender a 18 biliões de wons, cerca de 10,4 mil milhões de euros. Analistas estimam que as perdas para a economia da Coreia do Sul devido a uma greve poderiam ultrapassar 40 biliões de wons, ou 22,7 mil milhões de euros.
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Fonte: Sapo





