O presidente da E-Redes, José Ferrari Careto, revelou que a rede elétrica em Portugal continental ficou “mais frágil” após a passagem de várias tempestades, levando a empresa a implementar medidas para reforçar a sua resiliência. Durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia, Careto destacou que as soluções provisórias adotadas para restabelecer rapidamente o fornecimento de eletricidade não são definitivas.
“Privilegiámos muito a rapidez, o que quer dizer que parte das soluções que nós implementámos são soluções não definitivas”, afirmou o presidente da E-Redes. Ele explicou que a empresa está agora focada na consolidação da rede, com o objetivo de restaurar a sua robustez e aumentar a resistência a futuras intempéries.
Entre as iniciativas em curso, a E-Redes planeia enterrar linhas de média e alta tensão, incluindo a linha Marinha Grande-Vieira II e a linha Ranha-Ortigosa-Pinheiros, em Leiria. Além disso, a empresa está a alterar o percurso de uma linha de média tensão numa zona florestal da Sertã, como parte das suas estratégias para aumentar a resiliência da rede elétrica.
A tempestade Kristin, que atingiu o país em janeiro, deixou cerca de um milhão de clientes sem eletricidade no seu pico. Careto revelou que 60% dos fornecimentos foram repostos nas primeiras 24 horas após a tempestade. Neste momento, a E-Redes está “100% dedicada” à recuperação das áreas afetadas, embora tenha expressado preocupação com a disponibilidade de mão-de-obra para realizar as reparações necessárias.
O presidente da E-Redes também abordou a questão da infraestrutura elétrica, afirmando que “não há qualquer infraestrutura que esteja preparada para qualquer evento”. No entanto, ele reconheceu que a empresa precisa de aprender com as lições deixadas pela tempestade Kristin. A apresentação da empresa indicou que mais de 6.000 quilómetros de rede foram afetados, com danos significativos em postes, postos de transformação e subestações.
Durante a tempestade, a E-Redes mobilizou mais de 2.700 operacionais, incluindo cerca de 300 de fora do país, e utilizou 500 geradores para ajudar na reposição do serviço. Careto esclareceu que a falta de geradores não foi um obstáculo na recuperação, uma vez que a empresa teve sempre equipamentos disponíveis para atender as necessidades mais urgentes, priorizando hospitais e entidades públicas.
Por fim, Careto rejeitou críticas sobre a falta de informação durante a crise, afirmando que a E-Redes sempre procurou partilhar informações de forma transparente e honesta. “Tivemos uma preocupação muito grande de falar sempre verdade e de partilhar toda a informação que tínhamos com toda a gente”, concluiu.
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Fonte: Sapo





