Saturação do aeroporto de Lisboa causa filas no controlo de fronteiras

A saturação estrutural do aeroporto de Lisboa tem sido identificada como a principal causa das longas filas no controlo de fronteiras, de acordo com especialistas consultados. A concentração de voos em horários específicos e a falta de preparação para o novo Sistema de Entrada/Saída da União Europeia (EES) também contribuem para este problema.

Apesar de Bruxelas não atribuir a responsabilidade dos constrangimentos nos aeroportos portugueses ao EES, os especialistas acreditam que este sistema aumentou a pressão sobre uma infraestrutura já limitada. Rui Quadros, ex-gestor da Iberia e da SATA, sublinha que a implementação de sistemas como o EES deveria ser acompanhada por avaliações que considerem a capacidade real de cada aeroporto. “A União Europeia, muitas vezes normativa e burocrática, não olha para a realidade de cada aeroporto”, afirma.

O professor da Atlântica, que também analisou a situação, considera que o problema do aeroporto de Lisboa resulta da “incapacidade estrutural de absorver a nova necessidade”, citando a saturação, a margem física reduzida, os recursos humanos limitados e a falta de preparação operacional como fatores críticos. Além disso, a congestão não se limita apenas às filas do controlo fronteiriço, mas estende-se a corredores e áreas comerciais, afetando todos os passageiros.

Maria Baltazar, professora no ISEC Lisboa, partilha a opinião de que a pressão sobre o aeroporto de Lisboa é intensa, especialmente devido à elevada procura turística. “O EES não é, neste momento, a principal causa dos constrangimentos observados”, afirma, destacando a concentração de voos em horários de pico como um dos principais fatores.

Pedro Castro, fundador da SkyExpert, acrescenta que as diferenças nos tempos de espera entre os aeroportos não se devem apenas ao país, mas também à organização da operação. “Lisboa, como hub, enfrenta uma pressão adicional devido à chegada simultânea de vários voos não-Schengen”, explica. A falta de preparação para o EES, que já estava em desenvolvimento há anos, também é apontada como uma falha crítica.

Leia também  Redução de alojamentos locais e desafios nas exportações

Os especialistas alertam que a situação poderá agravar-se durante o verão, com o aumento do tráfego turístico e a concentração de voos. “É provável que piore se não forem tomadas medidas adicionais”, afirma Rui Quadros. Para evitar um agravamento, sugerem o reforço de recursos humanos e a maximização da abertura dos postos de controlo.

O governo português já anunciou medidas para aumentar o número de ‘boxes’ de controlo manual e e-gates no aeroporto de Lisboa, com o objetivo de reduzir os tempos de espera. No entanto, a eficácia dessas medidas só poderá ser avaliada após a sua implementação.

Leia também: O impacto do turismo no aeroporto de Lisboa e as suas consequências.

Leia também: Mais de 360 novos polícias vão reforçar segurança nos aeroportos

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top